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Sementes do Reino Sementes do Reino - 1ª
01 de outubro 2021




“O semeador saiu a semear. Ao semear, uma parte da semente caiu à beira do caminho e foi pisada; e os pássaros do céu a comeram. Outra parte caiu sobre as pedras; brotou, mas secou, por falta de umidade. Outra parte caiu entre os espinhos e, crescendo ao mesmo tempo, os espinhos a sufocaram. Ainda outra parte caiu em terra boa; brotou e deu frutos, até cem por um”. Depois de dizer isso, ele exclamou: “Quem tem ouvidos para ouvir, ouça!” (Lc 8, 5-8)*.


Introdução. A parábola do semeador contada por Jesus e reproduzida pelo Evangelista Lucas é mais do que apropriada para anunciar o Reino de Deus nos tempos atuais. Começo, pois, esta série de reflexões, precisamente pela última frase pronunciada por Jesus nessa parábola.

“Quem tem ouvidos para ouvir, ouça!”. Ora, dizemos nós, todos temos ouvidos. Muitos, porém, apesar dos ouvidos físicos abertos, não conseguem ouvir o que não lhes interessa, ou fecham-se às palavras que não aceitam, seja por preconceitos, por recusa ideológica, seja por já estarem abertos aos ruídos que vêm de todos os lados e não deixam “espaço” para a perene novidade do Evangelho. Sem contar que, na reclusão forçada destes tempos de pandemia, os ruídos aumentaram: televisão, internet, redes sociais e meios de comunicação social enchem os nossos ouvidos e ocupam nossa atenção. Mesmo que seu principal conteúdo sejam as tais fake news... que, precisamente por serem falsas, tornam-se mais atraentes e prendem mais a atenção.

Por oportuno, repito aqui uma distinção: uma coisa é ouvir; outra coisa é escutar. No ouvir, as palavras e os ruídos entram por um ouvido e saem pelo outro. No escutar, a Palavra entra pelos ouvidos e desce ao mais profundo do coração, provocando a mudança de mentalidade que deve levar à conversão. A esse respeito, alguém já disse que, na busca da interiorização, “o caminho mais longo a ser percorrido é aquele que vai do cérebro ao coração”. Como é difícil esse trajeto do conhecimento de si mesmo! Pense no que você poderá ir encontrando pelo caminho. De um lado, acontecimentos, situações, momentos nem sempre fáceis de confrontar; de outro, ocasiões nas quais a semente lançada na terra produz frutos cem por um! Permitam-me citar, a propósito, o que escreveu a respeito o Cardeal Omella, Barcelona (Espanha): “Não é a mesma coisa ouvir e escutar. Ouvir é captar sons, palavras, ruídos. Escutar, ao invés, é uma atitude pessoal, e implica estar receptivo pra compreender o que o outro diz. A tecnologia melhora a audição. O interesse pelo outro e a boa vontade melhoram a escuta. Convém lembrar que Deus nos deu duas orelhas para escutar mas uma só uma boca para falar”. Não sem razão, ao curar um surdo-mudo, Jesus disse “efatá!”, palavra grega que significa “abre-te!”.

Questionando... a) é importante para você a última frase da parábola? Por quê? b) você já tem feito a experiência de “olhar para si mesmo” com sinceridade e sem buscar desculpas para seus erros e defeitos? c) nos seus ouvidos existe algum “cerume” que lhe impede de escutar a Palavra? Se sim, você está disposto a removê-lo?


Pe. José Gilberto Beraldo          
E-mail: jberaldo79@gmail.com      


*As citações bíblicas destas reflexões são as da Bíblia Sagrada, tradução da CNBB.