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Jesus conta contigo!
 

Os Cursilhos no Brasil

 
  O espírito apostólico de alguns sacerdotes e leigos da Missão Católica Espanhola, então em franca atividade, fez com que, na Semana Santa de 1962, acontecesse o primeiro Cursilho de Cristandade do Brasil, realizado em Valinhos (São Paulo). O clima pastoral de toda a Igreja era de renovação e de grandes esperanças.   Em Roma o Concílio Vaticano II caminhava para sua segunda sessão, enquanto, aqui no de tantas Igrejas particulares. Muito fervor foi reacendido, muitos apóstolos suscitados, muita ação pastoral, sobretudo intra-eclesial, foi motivada.  No Brasil, começava a ser implementado, com entusiasmo, o Plano de Pastoral de Emergência, sugerido pelo Papa João XXIII ao Episcopado brasileiro (quatro anos depois o PPE seria substituído pelo Plano de Pastoral de Conjunto - PPC).

Iniciativas pastorais as mais variadas e alguns movimentos de renovação ("O Mundo Melhor" p. ex.) eram acolhidos por quase todas as Dioceses e Paróquias do Brasil. Nesse contexto, o Movimento de Cursilhos encontrou terreno preparado para uma notável expansão, ainda que profundamente marcado por suas origens e suas características.
É verdade - e reconhecemos - que, aqui no Brasil, os cursilhos não procuraram, nos seus inícios, sintonizar-se mais estreitamente com o Plano Pastoral, então emergente, nem buscaram um claro e eficiente entrosamento na pastoral diocesana. A despeito do apoio precioso de tantos bispos, em todo o Brasil, e do entusiasmo de milhares de leigos, durante mais de uma década faltou um diálogo em profundidade que pudesse marcar a identidade do Movimento e suas funções no contexto nacional. Disso até hoje o MCC se ressente.

Contudo, não se pode ignorar - e nem deixar de registrar e louvar a Deus por isso - o imenso bem operado através dos Cursilhos, tanto em milhares de pessoas que reencontraram o caminho do coração do Pai, como em benefício de tantas Igrejas particulares. Muito fervor foi reacendido, muitos apóstolos suscitados, muita ação pastoral, sobretudo intra-eclesial, foi motivada.

Além disso pode-se afirmar, sem medo de engano, que o MCC, no Brasil, sempre se distinguiu por seu espírito renovador incentivado, entre outros, pela extraordinária e dinâmica figura de sacerdote e apóstolo, Pe. Cañalles, tragicamente falecido aos 45 anos de idade. Surgiram no seio do Movimento lideranças respeitáveis e respeitadas no mundo dos Cursilhos que levaram a inúmeros Encontros Mundiais, Continentais e Nacionais reflexões, sugestões e experiências que influenciaram substancialmente o seu desenvolvimento e progresso em todos aqueles níveis. Ali o MCC do Brasil deixou marcas profundas de sua atuação, embora nem sempre tenha sido tranqüila, ontem como hoje, a aceitação de suas propostas em algumas instâncias internacionais do Movimento.

Num outro momento significativa de sua história, o MCC do Brasil, ao desenvolver sua maturidade pastoral e uma mais comprometida sintonia eclesial com a Pastoral de Conjunto, questionado pelo acontecimento de Puebla, em sua Assembléia Nacional de 1979, assumiu "integral e incondicionalmente o espírito e as diretrizes do Documento de Puebla na sua totalidade".

Essa decisão fez com que se tentasse uma revisão ainda mais profunda em termos de Pré-Cursillo e de Cursilho, mas, sobretudo, de Pós-Cursilho.

Por mais de dez anos, e orientado pelo trabalho de Pós-Cursilho apresentado no V Encontro Interamericano de Santo Domingo (1980), o MCC do Brasil esteve empenhado na implementação de um Pós-Cursilho em comunhão ativa e efetiva com as Diretrizes Pastorais da Igreja no Brasil e com as orientações de Puebla. Depois de muita insistência, o MCC, em nível internacional, acaba de reconhecer a importância fundamental dos núcleos ambientais, conforme as conclusões do IX Encontro Interamericano do MCC ( Paraguai, set./96). Foi com esse espírito que se tratou de adaptar à caminhada da Igreja no Brasil, não só os Esquemas das palestras ou "rollos" do Cursilho, mas o espírito e a prática pastoral de todo o MCC. Assembléia e Encontros Nacionais, Assembléias Regionais e Diocesanas, enfim, todas as instâncias do Movimento foram constantemente mobilizadas para que essas adaptação e mobilização passassem da letra à prática. Esse empenho sempre constitui a grande tarefa dos responsáveis do Movimento em todos os seus níveis. Eis que surge, agora, um novo desafio: colocar o Movimento de Cursilhos em sintonia com toda Igreja Católica, especialmente na América Latina e no Brasil, em clima e a serviço da "Nova Evangelização". Às vésperas do Terceiro Milênio, atendendo à convocação do Papa João Paulo II, o MCC se propõe e se impõe essa enorme e gratificante tarefa. Sabe-se que diante dela inúmeras dificuldades brotam também no seu interior e que elas são normais em tal dinamismo. Sabe-se ainda que elas são normais e inerentes à missão evangelizadora da Igreja em todo o mundo. A passagem de uma cultura de modernidade para a pós-modernidade, seus desafios e suas esperanças, são estímulos. e uma certeza. Um estímulo porque o MCC tem consciência de que é enviado para evangelizar e, ao mesmo tempo, uma certeza porque Ele estará conosco até o fim (Cf. Mt 28,20).

 
     
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