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Jesus conta contigo!
Carta MCC Setembro 2010
Carta mensal Pe. Beraldo

“Pois a palavra de Deus é viva, eficaz e mais penetrante que qualquer espada de dois gumes. Penetra até dividir alma e espírito, articulações e medulas. Julga os pensamentos e as intenções do coração. Não há criatura que possa ocultar-se diante dela. Tudo está nu e descoberto aos olhos dAquele a quem devemos prestar contas” (Hb 4, 12-13).

Meus caríssimos leitores e leitoras, Povo amado de Deus!

Nossa Igreja Católica no Brasil celebra neste mês de Setembro, o Mês da Bíblia, ou seja, o mês dedicado à leitura e à reflexão da Palavra de Deus.  Leitura e reflexão que deverão levar-nos à oração que, por sua vez, haverá de encontrar seu reflexo na nossa vida diária. Poderá parecer, à primeira vista, que, ao instituir um tempo especialmente dedicado à Bíblia, a Igreja estaria dela se esquecendo durante o resto do ano. Entretanto, a verdadeira motivação para a instituição deste tempo especial dedicado ao Livro sagrado da nossa fé, é que não só que dele nos lembremos, mas que, efetivamente, demos à Palavra de Deus a importância que ela desempenha para a nossa vida cristã. Dessa forma, busca incentivar a sua leitura, a sua prática e, de maneira muito especial, espera que todos nós aprendamos a rezar a Bíblia. Nem sempre a nossa Igreja Católica incentivou a leitura da Bíblia entre os seus fieis. Durante alguns séculos, a Palavra de Deus escrita na Bíblia foi de difícil acesso aos católicos, por razões que não vêem ao caso comentar agora, mas que encontra alguma justificativa na Reforma protestante que, valorizando a Bíblia, se esquecia, de certa forma, da Tradição Apostólica da Igreja e do seu Magistério. Para esta nossa reflexão sobre a Palavra de Deus, proponho que bebamos de uma fonte muito atual e oportuna, ou seja, no Documento de Aparecida (DAp). 

1.                  A Palavra de Deus, um encontro com Jesus Cristo.  Em parágrafos anteriores (28-29), o DAp fazia referência à “alegria de ser discípulo missionário de Jesus Cristo”. Onde, porém, encontrar com Jesus? A resposta é dada, com muita clareza, muita força e muita determinação, ao mostrar o DAp os lugares de encontro com Ele: “Encontramos Jesus na Sagrada Escritura, lida na Igreja. A Sagrada Escritura, “Palavra de Deus escrita por inspiração do Espírito Santo”, é, com a Tradição, fonte de vida para a Igreja e alma de sua ação evangelizadora. Desconhecer a Escritura é desconhecer Jesus Cristo e renunciar a anunciá-lo” (DAp 247). Portanto, para os que, como nós, queremos ser sempre mais discípulos e anunciadores da mensagem de Jesus, além da leitura e do conhecimento da Palavra de Deus, São Paulo nos diz que é necessário abrir inteligência, vontade e coração para recebê-la, assimilar e deixar que ela nos “fira”, nos penetre como “como qualquer espada de dois gumes”. Atitudes como estas é que farão com que não só encontremos a pessoa de Jesus, como, também, estejamos aptos para anunciar os seus critérios, mandamentos e valores evangélicos. Muito oportunamente o Papa Bento XVI dirigindo-se aos Bispos,em Aparecida, assim se expressa: “Ao iniciar a nova etapa que a Igreja missionária da América Latina e do Caribe se dispõe a empreender, a partir desta V Conferência em Aparecida, é condição indispensável o conhecimento profundo e vivencial da Palavra de Deus, Por isto, é necessário educar o povo na leitura e na meditação da palavra: que ela se converta em seu alimento para que, por experiência própria, vejam que as palavras de Jesus são espírito e vida (cf. Jo 6,63). Do contrário, como vão anunciar uma mensagem cujo conteúdo e espírito não conhecem profundamente? É preciso fundamentar nosso compromisso missionário e toda nossa vida na rocha da Palavra de Deus” (DAp 247).
2. A Palavra de Deus, fonte e alimento da evangelização. No parágrafo anterior, lemos o Papa afirmando que é necessário conhecer profundamente a mensagem para poder anunciá-la. Na citação acima da Carta aos Hebreus, o autor nos diz que a Palavra de Deus “é mais cortante que uma espada de dois gumes”. Você já experimentou, alguma vez, o que significa a invasão do próprio corpo por um instrumento afiado? Se ainda não experimentou, não é verdade que só o imaginar, já lhe causa arrepios?  Pois bem, embora sem causar dor, é assim, que o alimento penetra em nosso corpo para alimentá-lo e fortalecer. Assim deveria ser, também, a ação da Palavra de Deus naqueles que, como nós, queremos proclamar o Evangelho de Jesus.  Assim deveríamos deixar-nos “penetrar” pela Palavra que: “penetra até dividir alma e espírito, articulações e medulas”. A propósito, voltemos ao DAp:  “Faz-se, pois, necessário propor aos fiéis a Palavra de Deus como dom do Pai para o encontro com Jesus Cristo vivo, caminho de “autêntica conversão e de renovada comunhão e solidariedade”142. Esta proposta será mediação de encontro com o Senhor se for apresentada a Palavra revelada, contida na Escritura, como fonte de evangelização. Os discípulos de Jesus desejam se alimentar com o Pão da Palavra: querem chegar à interpretação adequada dos textos bíblicos, empregá-los como mediação de diálogo com Jesus Cristo e a que sejam alma da própria evangelização e do anúncio de Jesus a todos” (DAp 248).
3. A Palavra de Deus, “meditação, oração, contemplação”: a leitura orante da Bíblia. São Bento, o Patriarca dos Monges do Ocidente, usou os termos “leitura divina” (lectio divina, em latim; “theía anágnosis”, em grego) para indicar aos seus monges o caminho da leitura e meditação da Palavra de Deus que os levassem à oração e, finalmente, à contemplação. A partir de alguns anos para cá, a “leitura divina” foi traduzida em ter nós por “leitura orante da Bíblia”. Esta maneira de se utilizar a Bíblia tem o seu método próprio, a sua dinâmica e o seu itinerário. Entretanto, não são muitos ainda os católicos que o conhecem e que, portanto, dele se servem para vivenciar a Palavra de Deus. Aliado à prática por muitos dos seus já milhares de usuários, o DAp pode nos ajudar, uma vez que dedica todo um parágrafo a respeito deste importante método de oração. Para ser absolutamente fiel, convido meus caros leitores a que, pausadamente, o leiam na íntegra: “Entre as muitas formas de se aproximar da Sagrada Escritura existe uma privilegiada à qual todos estamos convidados: a Lectio divina ou exercício de leitura orante da Sagrada Escritura. Esta leitura orante, bem praticada, conduz ao encontro com Jesus-Mestre, ao conhecimento do mistério de Jesus-Messias, à comunhão com Jesus-Filho de Deus e ao testemunho de Jesus-Senhor do universo. Com seus quatro momentos (leitura, meditação, oração, contemplação), a leitura orante favorece o encontro pessoal com Jesus Cristo semelhante ao modo de tantos personagens do evangelho: Nicodemos e sua ânsia de vida eterna (cf. Jo 3,1-21), a Samaritana e seu desejo de culto verdadeiro (cf. Jo 4,1-12), o cego de nascimento e seu desejo de luz interior (cf. Jo 9), Zaqueu e sua vontade de ser diferente (cf. Lc 19,1-10)... Todos eles, graças a este encontro, foram iluminados e recriados porque se abriram à experiência da misericórdia do Pai que se oferece por sua Palavra de verdade e vida. Não abriram seu coração para algo do Messias, mas ao próprio Messias, caminho de crescimento na “maturidade conforme a sua plenitude” (Ef 4,13), processo de discipulado, de comunhão com os irmãos e de compromisso com a sociedade” (DAp 249).
Meus amados: é possível que, ao ler esta carta, surja a pergunta: “porque o autor faz tantas citações por extenso, sobretudo do Documento de Aparecida?” A razão é muito simples de se entender. Trata-se de dar oportunidade aos que não possuem o texto do documento de, pelo menos, tomar conhecimento de alguns pontos importantes. E, para justificar minhas intenções, volto a lembrar a relação de Maria, nossa querida Mãe, com a Palavra de Deus, transcrevendo parte do DAP: “Ela, que “conservava todas estas recordações e meditava em seu coração” (Lc  2,19; cf. 2,51), ensina-nos o primado da escuta da Palavra na vida do discípulo e missionário. O Magnificat  “está inteiramente tecido pelos fios da Sagrada Escritura, os fios tomados da palavra de Deus. Assim, se revela que nela a Palavra de Deus se encontra de verdade em sua casa, de onde sai e entra com naturalidade. Ela fala e pensa com a Palavra de Deus; a Palavra de Deus se faz a sua palavra e sua palavra nasce da Palavra de Deus. Além disso, assim se revela que seus pensamentos estão em sintonia com os pensamentos de Deus, que seu querer é um querer junto com Deus. Estando intimamente penetrada pela Palavra de Deus, Ela pode chegar a ser mãe da Palavra encarnada” (DAp 271).
Para todos os leitores e leitoras, um carinhoso abraço fraterno do irmão e servidor,

Pe. José Gilberto Beraldo
Assessor Eclesiástico Nacional
E-mail:beraldomilenio@uol.com.br

 
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