Jesus conta contigo!
 

Carta MCC do Brasil n° 206 – outubro 2016

“O Senhor escolheu outros setenta e dois e enviou-os, dois a dois, à sua frente, a toda cidade lugar para onde ele mesmo devia ir. E dizia-lhes: A colheita é grande, mas os trabalhadores são poucos. Pedi, pois, ao Senhor da colheita que mande trabalhadores para sua colheita. Eis que vos envio como cordeiros para o meio de lobos” (Lc 10, 1-3).

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Caríssimos irmãos e irmãs, amigos unidos pelo amor de Nosso Senhor Jesus Cristo,

Muitas e importantes são as comemorações litúrgicas deste mês de outubro, tanto as de Maria como as de vários santos e santas com suas presenças marcantes na Igreja e cujos exemplos de vida são sempre, novos estímulos para nossa própria missão de anunciar o Reino de Deus. Certamente, cada diocese, cada paróquia, cada comunidade, cada movimento eclesial, há de colocar em ação iniciativas visando a comemorar estas datas de maneira mais adequada às suas realidades. Assim, não me parece muito oportuno tratar aqui desta ou daquela comemoração - minha proposta de reflexão neste mês de outubro, tem seu foco nas missões.

Insisto, portanto, na necessidade do aprofundamento de uma consciência missionária coerente com o mandato de Jesus: “Ide, pois, fazer discípulos entre todas as nações...”(Mt 28,19). Parece superada, já de há muito tempo, sobretudo depois do Concílio Vaticano II, a mentalidade de que missões eram apenas as de além-fronteiras e, missionários, os que, heroicamente, deixavam suas famílias, suas comunidades e sua pátria para anunciar o Evangelho a povos pagãos em outras geografias. Agora, faz-se urgente que nós, discípulos missionários, assumamos com renovada coragem e com alegre entusiasmo os desafios apresentados pela nova evangelização. Uma Igreja “em saída” é a síntese perfeita da pastoral evangelizadora que nos é proposta propõe pelo papa Francisco. Deixo-lhes, entre tantos outros, alguns pontos para reflexão.

1. “Fez-se sempre assim”. É com estas palavras tão repetidas quando se está acomodado numa rotina pastoral antiquada e preguiçosa que o papa Francisco, no contexto do parágrafo sobre “uma renovação eclesial inadiável”, nos convida à “ousadia e à criatividade”: “A pastoral, em chave missionária exige o abandono deste cômodo critério pastoral: “fez-sempre assim”. (EG 33). Ainda num comentário sobre essa afirmação – que, aliás, transcrevo com gosto - assim se expressa D. Sérgio de Deus Borges, um dos bispos auxiliares da Arquidiocese de São Paulo: “O papa Francisco, quando publicou a Exortação Evangelii Gaudium, pediu a todos nós determinação e abertura de coração para uma profunda renovação na pastoral de toda a Igreja, a partir de nossas comunidades paroquiais. Para iniciar o processo de renovação pastoral, ele pediu que abandonássemos um critério pastoral que utilizamos com frequência: "Fez-se sempre assim" (EG 33).

E, em seguida: “Quando permanecemos amarrados a esse critério, a pastoral não caminha e impedimos que novas ideias possam trazer luz nos processos pastorais. Ao insistirmos que sempre se fez assim," sem percebermos, colamos dificuldades para que novos discípulos missionários possam se integrar na comunidade como novas sementes de trigo a vencer o joio. Pior ainda, podemos perder a esperança e a alegria de evangelizar, porque nos tornamos incapazes de perceber a ação do Espírito Santo no cotidiano da pastoral. Como sempre se fez assim, sempre é a mesma coisa, são sempre as mesmas reuniões, as mesmas palavras e vamos mantendo algumas atividades para cumprir com a obrigação, mas não vemos o Senhor agindo no meio de nós”.

E prossegue D.Sérgio: “Devemos agradecer as coisas bonitas que realizamos no passado, os belos encontros, as atividades nas mais diversas áreas. O critério da pastoral missionária de integração nos tornará criativos, nos dará vigor para repensar os objetivos, as estruturas, o estilo e os métodos de evangelização de nossas comunidades, e nos abrirá os olhos para ver o Deus presente, o Deus que salva e está ao nosso lado na missão. Integrar a todos os que estão a caminho, e no caminho está a base do Evangelho: todos nós temos necessidade de misericórdia (cf. Mc 10,46-52). Não percebeis a necessidade de mudar o critério pastoral?”

2. “Como cordeiros para o meio de lobos”. Sem querer exorcizar o mundo que é a “nossa casa comum”, temos que reconhecer que muitas circunstâncias e até mesmo momentos históricos de mudança ou transição de época nos distanciam do projeto de Deus. Então, um mundo criado puro e cheio de luz transforma-se num deserto vazio e tenebroso; um rebanho criado à imagem e semelhança do Criador é ameaçado pela feroz investida de lobos vorazes; o homem e a mulher despojados de sua dignidade original, voluntária ou involuntariamente, tornam-se vítimas de seus próprios sonhos... E, sem ser demasiadamente pessimistas, somos levados a aceitar que lobos vorazes estão assaltando o rebanho: violência generalizada, ódio azedando os corações, exclusão dos mais pobres, desprezo pelo próximo, drogas deteriorando a dignidade humana , indiferença diante dos sofrimentos de milhões de homens e mulheres, adultos, jovens e crianças, etc. Assim estamos em meio a uma “conspiração planetária” contra os valores do Reino de Deus anunciados e vividos por Jesus.

Para o meio desta “civilização” (ou seria uma “incivilização?) é que somos enviados. Não para um mundo de sonhos. Enviados como discípulos missionários, somos convidados a contribuir para que este mesmo mundo vá se tornando, ainda que aos poucos, mais humano, mais justo, mais habitável!

3. “O Reino que nos chama”. Entre outros apelos missionários contidos na Exortação Apostólica Evangelii Gaudium (EG), há um capítulo especialmente denso para este contexto - ao qual nos referimos no parágrafo anterior. Trata-se do capítulo IV – A dimensão social da evangelização no qual estão em destaque os nros.180-181. Transcrever deles uma frase ou outra implicaria o risco de limitar as palavras do papa Francisco. Para uma mais aprofundada reflexão ai vão os dois números citados. “Ao lermos as Escrituras, fica bem claro que a proposta do Evangelho não consiste só numa relação pessoal com Deus. E a nossa resposta de amor também não deveria ser entendida como uma mera soma de pequenos gestos pessoais a favor de alguns indivíduos necessitados, o que poderia constituir uma «caridade por receita», uma série de ações destinadas apenas a tranquilizar a própria consciência. A proposta é o Reino de Deus (cf. Lc 4, 43); trata-se de amar a Deus, que reina no mundo. Na medida em que Ele conseguir reinar entre nós, a vida social será um espaço de fraternidade, de justiça, de paz, de dignidade para todos. Por isso, tanto o anúncio como a experiência cristã tendem a provocar consequências sociais. Procuremos o seu Reino: “Procurai primeiro o Reino de Deus e a sua justiça, e tudo o mais se vos dará por acréscimo” (Mt 6, 33). O projeto de Jesus é instaurar o Reino de seu Pai; por isso, pede aos seus discípulos: “Proclamai que o Reino do Céu está perto” (Mt 10, 7) EG 180).

“O Reino, que se antecipa e cresce entre nós, abrange tudo, como nos recorda aquele princípio de discernimento que Paulo VI propunha a propósito do verdadeiro desenvolvimento: “Todos os homens e o homem todo”. Sabemos que “a evangelização não seria completa, se ela não tomasse em consideração a interpelação recíproca que se fazem constantemente o Evangelho e a vida concreta, pessoal e social, dos homens”. É o critério da universalidade, próprio da dinâmica do Evangelho, dado que o Pai quer que todos os homens se salvem; e o seu plano de salvação consiste em “submeter tudo a Cristo, reunindo n’Ele o que há no céu e na terra” (Ef 1, 10). O mandato é: “Ide pelo mundo inteiro, proclamai o Evangelho a toda criatura” (Mc 16, 15), porque toda “a criação se encontra em expectativa ansiosa, aguardando a revelação dos filhos de Deus” (Rm 8, 19). Toda a criação significa também todos os aspectos da vida humana, de tal modo que “a missão do anúncio da Boa Nova de Jesus Cristo tem destinação universal. Seu mandato de caridade alcança todas as dimensões da existência, todas as pessoas, todos os ambientes da convivência e todos os povos. Nada do humano pode lhe parecer estranho”. A verdadeira esperança cristã, que procura o Reino escatológico, gera sempre história” (EG 181).

Com meu abraço fraterno, termino com invocação final da EG a Maria: “Estrela da nova evangelização", ajudai-nos a refulgir com o testemunho da comunhão, de serviço, da fé ardente e generosa, da justiça e doa amor aos pobres, para que a alegria do Evangelho chegue até os confins da terra e nenhuma periferia fique privada de sua luz. Mãe do Evangelho vivente, manancial de alegria para os pequeninos, rogai por nós. Amém. Aleluia!”

Pe. José Gilberto Beraldo      
Equipe Sacerdotal do GEN    
E-mail: jberaldo79@gmail.com


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