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Carta MCC do Brasil n° 223 março 2018


“Completou-se o tempo, e o Reino de Deus está próximo. Convertei-vos e crede na Boa Nova ” (Mc 1, 15).

Caríssimos amigos e amigas destas modestas linhas de reflexão que hoje iniciamos como uma peregrinação em um tempo especial de “deserto” itinerante para a Páscoa de Jesus.

Introdução.

A partir da última Quarta-feira de Cinzas, ao inclinarmos humildemente a cabeça para que a imposição daquele sinal antigo e sempre novo nos marcasse não só exteriormente, mas no mais profundo do nosso ser de seguidores de Jesus; naquele momento tão tradicional como, sobretudo, significativo, iniciamos com Ele a nossa caminhada quaresmal para, com Ele, celebrarmos a Páscoa da Ressurreição. E, prosseguindo durante todo este mês de março, somos chamados a mergulhar nesse tempo privilegiado da Quaresma que encontrará sua exaltação na solene Vigília Pascal, no dia 1 de abril. É o próprio Jesus que nos convida: “Completou-se o tempo, e o Reino de Deus está próximo. Convertei-vos e crede na Boa Nova” (Mc 1,15). Abrindo sua Mensagem para a Quaresma de 2018, assim se expressa o papa Francisco: “Mais uma vez vamos encontrar-nos com a Páscoa do Senhor! Todos os anos, com a finalidade de nos prepararmos para ela, Deus na sua providência oferece-nos a Quaresma, ‘sinal sacramental da nossa conversão’, que anuncia e torna possível voltar ao Senhor de todo o coração e com toda a nossa vida”.

Quaresma:

1.1. A caminhada quaresmal abre-nos um roteiro bem definido. Esse roteiro de uma caminhada sempre renovada pode e deve expressar-se na prática fundamental da Quaresma e de toda a vida cristã. A essa prática chamamos de conversão. Aliás, desde criança, aprendi que devia rezar pela “conversão dos pecadores” – conselho que, aliás, parece partir ainda hoje de muitas supostas “aparições” – entendendo a conversão como voltar alguém, afastado da Igreja, às tradicionais práticas de piedade, à observância dos mandamentos de Deus e da Igreja, etc. Entretanto, o mais interessante é que sempre e sempre os pecadores pelos quais eu deveria rezar eram os outros... Custou-me bastante entender que o primeiro dos pecadores era e sou eu mesmo! Sequer minhas filosofias e teologias apontavam para minha própria fragilidade! O que podemos entender, então, quando falamos em “conversão”? Para isso, é preciso que voltemos ao seu sentido original.

1.2. A conversão exige de nós, peregrinos a caminho da pátria definitiva, mais do que o sempre necessário gesto de humildade de bater no peito dizendo apressadamente “mea culpa, mea máxima culpa”. Somos convidados a ir às raízes do sentido de conversão, vivenciando aquele do “Confiteor” na vida cotidiana. Vejamos o que diz o teólogo espanhol J. A. Pagola ao comentar a palavra de Jesus em Mc 1, 15: “O verbo grego que se traduz por “converter-se” significa na realidade “pôr-se a pensar”, “rever a orientação da nossa vida”, “reajustar a perspectiva”. As palavras de Jesus poderiam ser entendidas assim: “Olhai se não tendes que rever e reajustar algo na vossa maneira de pensar e de agir para que se cumpra em vós o projeto de Deus de uma vida mais humana”.

1.3. Sintetizando, poderíamos afirmar que conversão significa mudança de mentalidade que, por sua vez, alcança o coração, isto é, o centro de nossa vida, levando-nos, assim, aos gestos concretos da prática da justiça, do perdão, da caridade, da solidariedade. Enfim, à prática do amor fraterno: “Este é o meu mandamento: amai-vos uns aos outros como eu vos amei. Ninguém tem amor maior do que aquele que dá a vida por seus amigos” (Jo 15, 12-13).

2. O sustento do peregrino rumo à Páscoa. Todos conhecemos suficientemente bem a tradicional proposta da Igreja como alimento quaresmal: o jejum, a esmola e a oração. É o testemunho vivo de Jesus, como nos relatam os evangelistas. Deixo aqui que o próprio Papa nos ajude a dar resposta à interrogação que ele mesmo nos faz na sua Mensagem quaresmal: “Que fazer?”. “A Igreja, nossa mãe e mestra, nos oferece neste tempo de Quaresma, o remédio doce da oração, da esmola e do jejum. Dedicando mais tempo à oração, possibilitamos ao nosso coração descobrir as mentiras secretas, com que nos enganamos a nós mesmos para procurar finalmente a consolação em Deus. Ele é nosso Pai e quer para nós a vida. A prática da esmola liberta-nos da ganância e ajuda-nos a descobrir que o outro é nosso irmão: aquilo que possuo, nunca é só meu. Como gostaria que a esmola se tornasse um verdadeiro estilo de vida para todos! Como gostaria que, como cristãos, seguíssemos o exemplo dos Apóstolos e víssemos, na possibilidade de partilhar com os outros os nossos bens, um testemunho concreto da comunhão que vivemos na Igreja.... Por fim, o jejum tira força à nossa violência, desarma-nos, constituindo uma importante ocasião de crescimento. Por um lado, permite-nos experimentar o que sentem quantos não possuem sequer o mínimo necessário, provando dia a dia as mordeduras da fome. Por outro, expressa a condição do nosso espírito, faminto de bondade e sedento da vida de Deus. O jejum desperta-nos, torna-nos mais atentos a Deus e ao próximo, reanima a vontade de obedecer a Deus, o único que sacia a nossa fome”.

3.Conclusão-Convite. Ainda há tempo de atendermos ao convite do Papa para os dias 09 e 10 de março próximos. Ai vai a conclusão de sua Mensagem quaresmal de 2018:

“O fogo da Páscoa"

Convido, sobretudo os membros da Igreja, a empreender com ardor o caminho da Quaresma, apoiados na esmola, no jejum e na oração. Se por vezes parece apagar-se em muitos corações o amor, este não se apaga no coração de Deus! Ele sempre nos dá novas ocasiões, para podermos recomeçar a amar. Ocasião propicia será, também este ano, a iniciativa “24 horas para o Senhor”, que convida a celebrar o sacramento da Reconciliação num contexto de adoração eucarística. Em 2018, aquela terá lugar nos dias 9 e 10 de março – uma sexta-feira e um sábado –-, inspirando -se nestas palavras do Salmo 130: “Em Ti, encontramos o perdão”(v. 4). Em cada diocese, pelo menos uma igreja ficará aberta durante 24 horas consecutivas, oferecendo a possibilidade de adoração e da confissão sacramental. Na noite de Páscoa, reviveremos o sugestivo rito de acender o círio pascal: a, luz, tirada do “fogo novo”, pouco a pouco expulsará a escuridão e iluminará a assembleia litúrgica. “A luz de Cristo, gloriosamente ressuscitado, nos dissipe as trevas do coração e do espírito”, para que todos possamos reviver a experiência dos discípulos de Emaús: ouvir a palavra do Senhor e alimentar-nos do Pão Eucarístico permitirá que o nosso coração volte a inflamar-se de fé, esperança e amor”.

Envolvo-os a todos com meu carinhoso abraço faterno, desejando-lhes ardentemente uma Santa Páscoa da Ressurreição!

Pe. José Gilberto Beraldo      
Equipe Sacerdotal do GEN    
E-mail: jberaldo79@gmail.com



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