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Jesus conta contigo!
 

Carta MCC Brasil – março 2012 (151ª.)

“Setenta anos é o total de nossa vida, os mais fortes chegam aos oitenta. A maior parte deles, sofrimento e vaidade, porque o tempo passa depressa e desaparecemos. (Salmo 90, 10)

Meus amados leitores e leitoras, irmãos e companheiros de peregrinação rumo à “pátria definitiva”:

Que o decorrer dos dias, dos anos e o avançar da história, a todos nos encontrem comprometidos com a fé em Nosso Senhor Jesus Cristo, como discípulos missionários do Reino!

Na última carta mensal ficou claro que, escritas pelo Assessor Nacional do MCC, as Cartas, explicitando, sobretudo, temas bíblicos destinam-se, especificamente, à reflexão dos membros do Movimento de Cursilhos e de outros leitores interessados tanto do Brasil como de outros países de língua espanhola. Portanto, nelas não deveriam ser tratados assuntos pessoais. Entretanto, ainda que não mais exercendo aquela função, faço-o por delegação do atual Assessor, Pe. Xiko e, sendo assim, peço licença aos meus caros amigos para tratar, hoje, de um assunto muito pessoal pela importância da que ele se reveste na minha vida. O acontecimento que me envolve – corpo, alma e espírito – já se encontra anunciado na citação bíblica acima, pois, do dia 12 de março em diante, assim permitindo-o Deus Pai, serei mais um anônimo “personagem bíblico”, lembrado e inserido no salmo 90: chego aos oitenta anos, não por ser um dos “mais fortes”, mas, com toda a certeza fundada na fé, pela graça, pela misericórdia e pelo carinho de Deus e, até por um saudável DNA familiar ou, em outras palavras, por uma santa “teimosia genética”! Nessas circunstancias tão singulares na vida deste indigno servo de Deus e do seu povo, permitam-me, amados leitores, partilhar com vocês alguns sentimentos, ainda que, por serem tão íntimos, apenas com dificuldade consiga fazê-lo…

1. Gratidão. Quero, primeiramente, proclamar minha ação de graças a Deus Pai que me chamou à vida para amá-Lo e servi-Lo, bem como a seu povo, com o dom do sacerdócio ministerial. Não foi por outra razão que vim ao mundo. Quero, depois, expressar um comovido agradecimento aos meus queridos e saudosos pais João e Elisa, instrumentos do Criador para trazer-me a este mundo e por ter colaborado com tanto desprendimento e tanta alegria, para consagrar ao Senhor seu primogênito de nove filhos (cf. Ex 13,1), meus queridos irmãos, aos quais também faço presentes neste gesto de gratidão. Desejo, ainda, agradecer a todos e a todas que, a meu lado e com sincera amizade, durante esses oitenta anos, ajudaram-me a vivê-los intensamente, sobretudo aos milhares de leigos e leigas do Movimento de Cursilhos aos quais dediquei mais de quarenta anos de minha vida.

2. Perdão. Ao mesmo tempo, renovo meu pedido de perdão ao mesmo Deus e Pai que, apesar de minhas fraquezas e limitações, me recebe com ternura nos seus braços, voltando, sempre, a colocar no meu dedo a aliança de sua misericórdia, dando-me seu perdão e, de novo, introduzindo-me na sala do banquete do Corpo e do Sangue de seu Filho. Perdão que peço e espero, também, de todos aos quais, no decorrer de minha vida, consciente ou inconscientemente, ofendi com minhas infidelidades, ingratidões e falhas, ou aos quais, porventura, escandalizei (cf. Mt 5, 23-24).

2. Volta ao essencial. Começa, então, a crescer no mais profundo do meu coração, uma como que urgente necessidade: despojar-me de todas as inutilidades; deixar de lado tudo o que é relativo, incluindo aí o próprio tempo, e privilegiando, assim e de algum modo inexplicável, a experiência de tudo o que não passa, isto é, do eterno; abrir mão da tantas pequenas “idolatrias” para aprofundar-me no conhecimento e no gozo do único Absoluto. Amadurece, assim, minha experiência de valores que não passam, como o amor, o perdão, a solidariedade, enfim, o que se poderia chamar de “experiência mística”. Já no Antigo Testamento, posso encontrar, no livro do Eclesiastes, uma fonte de reflexão para esses momentos: Vaidade das vaidades, diz o pregador, vaidade das vaidades! Tudo é vaidade. Que proveito tem o homem, de todo o seu trabalho, que faz debaixo do sol? Uma geração vai, e outra geração vem; mas a terra para sempre permanece… O que foi, isso é o que há de ser; e o que se fez, isso se fará; de modo que nada há de novo debaixo do sol… Já não há lembrança das coisas que precederam e das coisas que hão de ser, também delas não haverá lembrança, entre os que hão de vir depois” (Eclesiastes 1, 1-11). Então, absolutamente liberto de qualquer empecilho, tenho todo o tempo que me resta para orar o que me sugere o Salmista: “Eu medito sobre as vossas maravilhas e sobre as obras grandiosas que fizestes” (Salmo 76 [77].

4. O recomeço a cada manhã. O futuro é o hoje da vida. Sua realização é o recomeçar a cada dia; é o renovar as forças na meditação, no anúncio da Palavra e na fonte da Eucaristia. Sem ser novidade transitória, hoje tudo será novo outra vez. Por isso posso suplicar ao Pai, cada manhã: “Que a vossa Sabedoria me conduza, para que eu ande no dia de hoje e sempre pelos caminhos de uma vida nova”. É preciso perscrutar o horizonte para sensibilizar-se pelo novo. O novo exige uma boa dose de coragem; antigos hábitos, com frequência, profundamente arraigados, não impedem os anseios e a busca por uma sadia atualização que leva a novas descobertas e, de maneira especial, a compreender e a anunciar a Palavra nos novos tempos, para homens e mulheres desta nova cultura. É assim que nas dúvidas, posso correr à incessante busca da verdade. Repito, por importante que me parece, o que já afirmei acima: tais dúvidas giram em torno dos valores transitórios, das propostas irrealizáveis, dos sonhos mal sonhados, dos desejos inúteis. Então, acentua-se a certeza da consagração total, da busca da realização de um projeto traçado e vivido pelo Mestre que, todos os dias sussurra aos meus ouvidos, me convida e, a cada manhã, me envia como enviou os Setenta e Dois: “Grande é a messe, mas poucos são os operários” (Lc 10, 2; Mt 9,37).

Conclusão. À medida do avanço dos dias e do tempo da história, alimentado pela fé, sinto aumentar no meu coração a certeza da “passagem”: do transitório para o Definitivo; da morte para a Vida, para a Ressurreição. Enfim, para a contemplação eterna da Face do Pai. Por isso, amados irmãs e irmãs, termino suplicando-lhes a caridade de sua oração à Trindade Santíssima para comigo agradecer esses oitenta anos de vida e para que eu possa cumprir aquele projeto traçado para mim desde os primeiros momentos de minha existência aqui na terra. E, de maneira especial, peço-lhes suplicar a Maria Santíssima, “Mãe do Verbo” e “Mãe da Alegria” que ajude este seu filho a ser fiel à Palavra na alegria de sua doação! Por fim, rezem comigo para que, na perspectiva dos dias que Deus se dignar me conceder, eu possa – ao chegar ao seu término – apresentar-me diante de sua Face e exclamar como Jesus ensinou aos seus discípulos e, portanto, a mim pessoalmente: “Assim também você, depois de ter feito tudo o que lhe foi ordenado, diga: ‘Sou um servo inútil; fiz o que devía fazer’”. (Cf.Lc 17,10).

Um forte abraço fraterno com todo o carinho e amizade do irmão, já agora quase octogenário,

Pe. José Gilberto Beraldo
Grupo Sacerdotal do Grupo Executivo Nacional do MCC
E-mail: jberaldo79@gmail.com

 

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