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Carta MCC do Brasil n° 225 maio 2018


“Ninguém pode dizer: Jesus é o Senhor a não ser no Espirito Santo. Há diversidade de dons, mas um mesmo é o Espírito. Há diversidade de ministérios, mas um mesmo é o Senhor. Há diferentes atividades, mas um mesmo Deus que realiza todas as coisas em todos. A cada um é dada a manifestação do Espírito em vista do bem de todos” (1Cor 12, 3b-6).


Irmãos e irmãs, amigos e amigas, minha fraterna saudação no amor da Trindade Santíssima: Pai, Filho e Espírito Santo!

Introdução. Como em todos os anos, para os cristãos católicos, o mês de maio traz em si uma inesgotável riqueza de comemorações, celebrações festivas e liturgias celebrativas que podem e devem proporcionar muita reflexão, muita alegria e, sobretudo, muita inspiração, força e coragem na nossa peregrinação cotidiana no caminho de Jesus.

Assim, pois, como o fazemos todos os anos também, proponho nesta nossa carta que, por meio de breves pontos, nos detenhamos em alguns aspectos fundamentais para nossa fé. Claro está que temos que tornar atuais essas celebrações e comemorações, buscando aproximá-las das realidades de nossa vida, da realidade da Igreja, etc.

1. Maio, mês de Maria Trata-se de uma salutar tradição devocional, não litúrgica, ou seja, o mês de maio não consiste numa única celebração litúrgica em honra de Maria, mas é um mês no qual reacendemos no coração a nossa filial devoção a ela. Nada mais oportuno, nada mais justo, nada mais carinhoso, pois, do que dedicarmos um mês inteiro do ano para uma honrosa e piedosa veneração da Mãe de Deus e nossa, Mãe de Jesus e Mãe da Igreja. Mesmo porque, pendente na cruz, olhando para João, o discípulo amado, e para Maria, sua Mãe, ali a seus pés, Ele grita: “Mulher, eis o teu filho! Depois disse ao discípulo: “Eis a tua mãe!” (Jo 19, 26-27ª). Assim sendo, maio é, também, um mês muito oportuno para “purificar” nossa devoção a Maria, ou seja, para voltarmos a Maria como Mãe sem tantos “apelidos” adicionais – sempre devocionais –, pois é essa a mais autêntica, porque evangélica, revelação divina: Maria, Mãe cheia de graça, de alegria, de ternura e de misericórdia, nos envolve no seu seio virginal! A começar de cada um e de cada uma de nós, talvez nunca o mundo tenha andado tão necessitado de alegria, de amizade, de ternura e de perdão como nos dias de hoje! “A minha alma engrandece o Senhor e meu espírito se alegra em Deus, meu Salvador, porque olhou para a humildade de sua serva. Todas as gerações, de agora em diante, me chamarão feliz, porque o Poderoso fez para mim coisas grandiosas. O seu nome é santo, e sua misericórdia se estende de geração em geração sobre aqueles que o temem!” (Lc 1, 47-50).

2. Ascensão do Senhor

2.1. A Ascensão de Jesus é a vitória definitiva de Jesus sobre a morte e, também, novo fundamento da nossa esperança. A Ressurreição de Jesus é a concretização de sua vitória sobre a morte do pecado no qual estava imerso o mundo desde a desobediência dos nossos primeiros pais, Adão e Eva. Ao mesmo tempo, é a Ressurreição do Senhor que vem confirmar a nossa fé, enquanto nos dá a certeza de nossa própria ressureição: “Esta é a vontade do meu Pai: que todo aquele que vê o Filho e nele crê tenha a vida eterna; e eu o ressuscitarei no último dia” (Jo 6,40). E a Ascenção de Jesus ao céu para sentar-se à direita do Pai confirmando, desse modo, aquela mesma vitória, deve, portanto, ser um alimento para a nossa esperança. Esperança que devemos alimentar em nossos dias, talvez mais do que em outros, pois quase tudo em nossas realidades políticas, sociais e, até, religiosas podem levar-nos ao desânimo, à acomodação, à desertificação espiritual ou ao vazio do nosso coração.

2.2. “Ide pelo mundo inteiro e anunciai o Evangelho a toda criatura”. Ao mesmo tempo em que a Ascensão do Senhor seria uma despedida, ainda que temporária, é também um envio imperativo de seus seguidores para o anúncio da Boa Notícia do Reino de Deus. Há poucos dias, numa de suas já tão oportunas embora breves homilias nas celebrações eucarísticas matutinas da Casa de Santa Marta, onde vive na simplicidade da partilha e da amizade, o Papa Francisco, com seu jeito peculiar, atualiza o “IDE” de Jesus insistindo que é o Espírito Santo que estimula os cristãos a evangelizar e isso se estrutura em três palavras-chave: “Levante-se”, “Aproxime-se” e “Comece a partir dessa situação”. Assim, todos os cristãos têm a “obrigação” e a “missão” de evangelizar, pedindo a graça de ser “ouvintes do Espírito” para “viver em saída”, praticando a “proximidade às pessoas” e partindo “não das teorias, mas das situações concretas”. E prossegue o Papa afirmando que a evangelização não é a elaboração de um plano feito para conquistar pessoas: “Vamos por aqui e façamos tantos seguidores, e indo mais além, outros tantos... Não... é o Espírito que te está dizendo como deves ir levando a Palavra de Deus, para anunciar o nome de Jesus. E começa dizendo: “levanta-te e sai”. Levanta-te e vai a esse lugar. Não existe evangelização a partir de um escritório”. “Levante-se e saia”. Sempre “em saída”. Esteja em movimento. Sai e vai ao lugar onde deves proclamar a Palavra”. E acrescenta, explicando o que é para nós, cristãos hoje, o “Ide pelo mundo inteiro”: “Não serve nenhum vademecum da evangelização, mas é necessária a “proximidade”, o “chegar-se junto a”, para ver o que acontece “a partir dessa situação”, e não da teoria”. Não se pode evangelizar com a teoria, a evangelização é como uma luta corpo a corpo, de pessoa a pessoa. A evangelização começa a partir da realidade e não da teoria. A evangelização anuncia a pessoa de Jesus Cristo e o entusiasmo do Espírito leva a pessoa a ser batizada”. E finalmente: “trata-se de um método muito simples, mas é o método de Jesus. Jesus evangeliza dessa maneira. Sempre em caminho, sempre próximo às pessoas e sempre começando de situações concretas, partindo da realidade”.1

3. Pentecostes: uma nova efusão do Espírito Santo. Correm os dias, passam os meses, transcorrem os anos, acumulam-se os séculos... mas é o mesmo o Espírito que, como naquele primeiro dia enche os corações dos seus fieis: “Quando chegou o dia de Pentecostes os discípulos estavam todos reunidos no mesmo lugar... então apareceram línguas como de fogo que se repartiram e pousaram sobre cada um deles. Todos ficaram cheios do Espírito Santo...” (At 2, 1;3-4a).

3.1. Pentecostes: vida nova para cada um (a) seguidor de Jesus. Ao olhar pela ótica da fé, podemos intuir a presença e a ação do Espírito Santo desde o momento do nosso batismo, confirmado pelo sacramento da crisma. São esta presença e ação juntamente com a Eucaristia, que deveriam alimentar a nossa vida. Ainda que num mundo tão conturbado e agitado, seja a nossa uma vida de alegria, de entusiasmo, de consciência e plena vivência dos Sete Dons do Espírito Santo: 1. Ciência; 2. Entendimento ou Inteligência; 3. Sabedoria; 4. Conselho; 5. Piedade; 6. Fortaleza e 7. Temor de Deus. Lembremo-nos: são dons, presentes do Espírito Santo que não nos cobra nada para concedê-los. A não ser a nossa perene gratidão. Procuremos vivê-los intensamente. A cada minuto. Minutos de lagrimas ou de sorrisos; de dores ou de saúde; de abraços ou de rejeição; de beijos de afeto ou no momento de “apresentar a outra face”...

3.2. Pentecostes: vida nova para uma Igreja missionária “em saída”. Estou absolutamente seguro de que todos os meus leitores acompanham e vivem o privilegiado momento de nossa “Igreja em saída” como a quer o nosso papa Francisco. Por isso, restrinjo-me, neste ponto, a sugerir que não percamos a oportunidade de acompanhar a palavra, o ensinamento e, sobretudo, o evangélico testemunho do nosso Pastor. Aí estão seus documentos, exortações, catequeses e admoestações: unamo-nos em torno de Francisco para que a Igreja Católica siga alegre e perseverante, o caminho de Jesus na história da humanidade de hoje e de amanhã. Estamos vivendo um NOVO PENTECOSTES!

Com meu carinhoso abraço, termino sugerindo que, sempre e sempre, sem cessar, supliquemos: “Vinde, Espirito Santo, enchei os corações dos vossos fiéis e acendei neles o fogo do vosso amor. Enviai, Senhor, o vosso Espírito e tudo será criado. E renovareis a face da terra”!

Pe. José Gilberto Beraldo      
Equipe Sacerdotal do GEN    
E-mail: jberaldo79@gmail.com


1 Aos cursilhistas, e mesmo aos participantes de outros movimentos eclesiais, sugiro que procurem conhecer o livreto do MCC do Brasil (Assembleias Regionais 2018) sobre o Ano Nacional do Laicato, que contém oportunas reflexões sobre o tema.


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