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Carta MCC do Brasil n° 226 maio 2018


“Há diversidade de dons, mas o Espírito é o mesmo. Há diversidade de ministérios, mas o Senhor é o mesmo. Há diferentes atividades, mas é o mesmo Deus que realiza tudo em todos. A cada um é dada a manifestação do Espírito, em vista do bem de todos.” (1Cor12, 4-7).


Irmãos e irmãs, amigos e amigas, minha saudação fraterna no amor que de Deus recebemos através dos dons do Espírito Santo!

Introdução. Na Igreja, com a celebração litúrgica de Pentecostes coroada pela celebração do mistério da Santíssima Trindade, encerrou-se o Tempo pascal e teve início o chamado Tempo comum. Entretanto, penso que nem sempre os católicos estão habituados a tentar viver no cotidiano as repercussões práticas desses mistérios celebrados com tanta solenidade e participação. Uma consciência mais aprofundada deles deveria levar os seguidores de Jesus a viver de modo mais dinâmico o envio a todos os povos da terra, para que se fizesse mais visível e concreto o Reino de Deus. Portanto, mesmo que em nossa Carta anterior (maio/2018) tenhamos feito breve referência ao Pentecostes, início da Igreja, proponho que, nestas breves reflexões, nos detenhamos a amadurecer tanto em nível pessoal como nas dimensões eclesiais, tanto o sentido de Pentecostes como o da Santíssima Trindade. Deixo claro, porém, que seria muito pretensioso de minha parte, querer esgotar toda a riqueza de tais fontes.

1. Os sete dons do Espírito Santo. Relembrando 1. Ciência; 2. Entendimento ou Inteligência; 3. Sabedoria; 4. Conselho; 5. Piedade; 6. Fortaleza e 7. Temor de Deus. Através dos séculos têm sido abundantes, diversificadas e multi-interpretadas as reflexões sobre os dons do Espírito de Deus, já de alguma forma profetizados no AT por Isaias (11, 1-3). Neste momento, considerando nossas atuais circunstâncias políticas, sociais, econômicas e, sobretudo, as dos meios de comunicação, reflitamos, tendo como pano de fundo deste texto dois desses dons: Sabedoria e Entendimento.

Como olhar a realidade da comunicação à luz da fé nos dons do Espírito? Iluminados pelos dons do Entendimento e da Sabedoria, como discernir, por exemplo, as chamadas fake news, notícias falsas, que se vão avolumando a cada dia, da verdade dos fatos ou das pessoas?

Quem melhor poderá nos ajudar é D. Paulo Mendes Peixoto, arcebispo de Uberaba, com um dos seus últimos textos “Verdade e Liberdade”. Assim ele se expressa:“Preocupados com a identidade da comunicação, os últimos papas têm refletido sobre os novos avanços que veem acontecendo nessa área. Em 2018, o Papa Francisco fala de "Fake News e jornalismo de paz". Principalmente nas redes sociais, é enorme o perigo das notícias falsas ou distorcidas, chegando a alterar a verdade e apresentar o erro e a mentira como verdade. A Palavra de Deus nos convida a agir com responsabilidade. Isso significa que a verdade não pode ser obscurecida pelas falsas notícias veiculadas pelo sistema digital nas redes sociais. Devemos entender que os instrumentos de comunicação devem estar a serviço da verdade para construir a justiça e o bem comum. É uma realidade que leva em conta a responsabilidade de quem produz notícia. A expressão fake news (notícias falsas) vem como consequência da avalanche de comunicação maldosa e sem fundamento dos últimos tempos. As consequências, às vezes, são trágicas e destruidoras da dignidade das pessoas por elas atingidas. Em vez de uma comunicação que constrói fraternidade e comunhão, passa a ser um perigo para a sociedade. Nas notícias falsas dos mass-media sempre há tendência de favorecimentos pessoais, lucros econômicos, políticos, etc. Correm nas veias do comunicador que transmite falsas notícias, atitudes capciosas para prender a atenção dos destinatários. Isso causa emoções imediatas, sem reflexão, sem preocupação com a checagem da veracidade das fontes e acaba provocando grandes frustrações”.

Sugestão para uma reflexão pessoal e/ou do seu grupo. De acordo com o ensinamento de São Paulo (1Cor12, 4-11), todos os batizados recebem os múltiplos dons do Espírito Santo Você, meu caro leitor (a), já parou para pensar nesses dons? Já identificou os que lhe são mais sensíveis? Por outro lado, sabe reconhecê-los no seu próximo, sabe respeitá-los e dar-lhes o devido valor?

2. Os sete dons em tempos de Igreja. Ao mesmo tempo em que se caracterizam como desafios aparentemente insuperáveis, apresentam-se os novos tempos como uma autêntica primavera eclesial. Primavera que, como se sabe, teve seu início com o Concílio Vaticano II (1962-1965). Primavera que, infelizmente, foi não só incompreendida por muitos leigos e leigas católicos, como por muitos dos nossos Pastores e mais alta hierarquia. Essa incompreensão e, pior, a omissão na aplicação dos ensinamentos do Concílio Vaticano II contidos em seus inspirados documentos, levou a Igreja a não sair da acomodação pastoral, a certa preguiça de agir no campo da evangelização ou a instalar-se numa certa “tradição”, assim, com “t” minúsculo, continuadora apenas de regras e normas que não condizem com os tempos presentes da história. Isso porque a autêntica Tradição eclesial tem por referência a pessoa de Jesus, sua vida, seu testemunho de amor e misericórdia (“Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida” – Jo 14,6) continuados através dos séculos pelos Apóstolos e seus sucessores e hoje, de maneira inspirada, vivida e anunciada pelo nosso papa Francisco. É tempo, portanto, como ele mesmo nos impulsiona a agir, de uma “Igreja em saída”, uma Igreja misericordiosa, que ele prefere ver machucada na sarjeta do que superprotegida, voltada para dentro de si mesma. Sempre, mas hoje mais do que nunca, em um mundo distante de Deus, numa nova cultura “epocal”, esta nossa amada Igreja necessita dos dons do Espírito Santo para continuar a missão a ela confiada por Jesus (Mt 28,19-20; Mc 16,20). Ressaltemos três desses sete dons:

2.1. Sabedoria Durante séculos foram-se criando no caminho de Jesus, muitos e variados atalhos. Foi-se assim confundindo o acidental, o secundário, com o essencial. De modo que, por exemplo, muitas devoções de caráter tipicamente particular ou regional foram tomando o lugar do que ou de Quem realmente importa no conteúdo e na essência da fé. E parece que quanto mais ofertas fazem tanto os Meios de Comunicação quanto a criatividade “devocional”, mais se vai confundindo o relativo com o Absoluto. Para toda a Igreja, então, é fundamental suplicar com insistência dom da Sabedoria do Espírito Santo que nos vai levar ao discernimento.

2.2. Entendimento. Poderá acontecer que facilmente se confunda a Sabedoria com o Entendimento. Este dom, porém, abre a nossa inteligência para compreender e assimilar as verdades da fé. Ao falar em “assimilação” estamos nos referindo à criação de uma mentalidade. E, como sabemos, é a mentalidade que orienta e dirige nossos atos e nosso compromissos de vida. E, no seio do Povo de Deus, urge um compromisso sério para caminhar com Jesus em missão evangelizadora num tempo em que é quase normal as pessoas fugirem de compromissos e empenhos de vida.

2.3. Fortaleza. Os dons da Sabedoria e do Entendimento são alimentados com o dom da Fortaleza. E a Fortaleza gera, na Igreja, a ESPERANÇA. Ao presenciarmos a condução misericordiosa da Igreja pelo nosso Pastor, o papa Francisco; ao compreendermos essa nova e promissora primavera eclesial; ao não provocarmos em nós mesmos e em nossas comunidades o derrotismo característico de muitos chamados tradicionalistas ou, pior, conservadores – inclusive de alguns até hierarcas que deveriam, como Francisco, ser os lideres na luta e entrega por uma transformação condizente com a cultura e com o homem e a mulher de hoje – então é fundamental alimentar o dom da Fortaleza. Por isso, como já o fiz aqui mesmo, ouso transcrever da EG 86: “Mas é precisamente a partir da experiência deste deserto, deste vazio, que podemos redescobrir a alegria de crer, a sua importância vital para nós, homens e mulheres. No deserto, é possível redescobrir o valor daquilo que é essencial para a vida; assim sendo, no mundo de hoje, há inúmeros sinais da sede de Deus, do sentido último da vida, ainda que muitas vezes expressos implícita ou negativamente. E, no deserto, existe sobretudo a necessidade de pessoas de fé que, com suas próprias vidas, indiquem o caminho para a Terra Prometida, mantendo assim viva a esperança”. Em todo o caso, lá somos chamados a ser pessoas-cântaro para dar de beber aos outros. Às vezes o cântaro transforma-se numa pesada cruz, mas foi precisamente na Cruz que o Senhor, trespassado, Se nos entregou como fonte de água viva. “Não deixemos que nos roubem a esperança!”

Concluo com meu carinhoso abraço fraterno, desejando que façamos tudo para que, juntos, Povo de Deus, imagem humana da unidade da Trindade Santíssima, com Maria, Mãe da Igreja, sejamos capazes de construir um mundo melhor, mais humano, colaborando assim para que possamos repetir com o Apocalipse:“Vi um novo céu e uma nova terra. Pois o primeiro céu e a primeira terra passaram...” (Ap 21, 1-2).

Pe. José Gilberto Beraldo      
Equipe Sacerdotal do GEN    
E-mail: jberaldo79@gmail.com


Cartas, anteriores do pe. Beraldo:

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