Jesus conta contigo!
 

Carta MCC do Brasil n° 214 –junho 2017


“Há diversidade de dons, mas o Espírito é o mesmo. Há diversidade de ministérios, mas o Senhor é o mesmo. Há diferentes atividades, mas é o mesmo Deus que realiza tudo em todos. A cada um é dada a manifestação do Espírito, em vista do bem de todos” (1Cor 12, 4-6).

.

Meus caríssimos leitores e leitoras: saúdo-os desejando que as celebrações de Pentecostes venham a todos iluminar e aquecer, como aos apóstolos, com as luzes do Espírito Santo!

Introdução. Ao apresentar-lhes para reflexão um tema tão profundo quanto este de Pentecostes (Domingo, 04 de junho), confesso estar plenamente consciente de minhas muitas limitações, ainda que a efusão do Espírito Santo tenha sido uma das maiores e mais decisivas motivações de minha já longa vida ministerial. Mais precisamente a origem desta minha hesitação está, sobretudo, no versículo 6 acima: “A cada um é dada a manifestação do Espírito”. Estou convencido de que, mesmo não tendo plena consciência disso e mesmo que não o ponham em prática, todos os que fomos batizados possuímos esta divina manifestação do Espírito. Então, por isso mesmo, posso concluir que não se faz necessário nenhum “batismo no Espírito”. Ou algum batizado nutre alguma dúvida quanto a essa ação do Espírito Santo?

1. Sequência da Missa de Pentecostes. Logo após a segunda leitura é rezada ou cantada uma Sequência, creio que nem sempre anunciada ou cantada com a devida atenção. Aliás, lembro que já transformamos essa Sequência numa canção bem conhecida: “A nós descei divina luz, em nossas almas acendei o amor de Jesus”. Proponho, pois, que esta nossa reflexão gire em torno dela, aplicando-a às realidades de nossas circunstâncias políticas, sociais ou religiosas, mas, com um enfoque particular na Exortação Apostólica Evangelii Gaudium (A Alegria do Evangelho, EG) do nosso papa Francisco. São dez versinhos resplendentes de Luz, da Luz do Espírito divino.

1.1. “Espírito de Deus, enviai do céu, um raio de luz”. Todos sabemos – porque até sentimos na própria carne – as contradições políticas, econômicas, sociais e religiosas que se manifestam em nossa atual cultura de relativismo, consumismo e exclusão. Aliás, todo o Capitulo II da EG trata esse conjunto de circunstâncias históricas como um desafio e uma crise que enfrentamos no “compromisso comunitário” da evangelização: economia de exclusão, dinheiro que governa ao invés de servir, desigualdade social e outros desafio atuais, inclusive os da “inculturação da fé”. A pergunta que repercute mais fortemente não seria a de que mais gastamos tempo e energia lamentando a situação do que pedindo as luzes do “Espírito de Deus”? Vamos fazê-lo com insistência neste Pentecostes!”

1.2. “Vinde, Pai dos pobres, dai aos corações, vossos sete dons”. O anúncio do Reino de Deus ocupou toda a vida de Jesus na preferência pelos pobres, os enfermos, os excluídos da sociedade. O papa Francisco na EG, dedica nada mais nada menos que cinco densos parágrafos (197- 210) ao “lugar privilegiado dos pobres no povo de Deus”, além do título mais amplo do Capítulo IV, no. 2: “A inclusão social dos pobres”. Muito a propósito, pedimos nesse verso da sequência, que o “Pai dos pobres” venha em socorro dos mais necessitados, ao mesmo tempo que com eles nos sensibilizamos, tocados os nossos corações pelos sete dons do Espírito Santo.

1.3. “Consolo que acalma, hóspede da alma, doce alívio, vinde!”. São poucas as pessoas que se dispõem a ouvir. Ouvir queixas e lamentos de corações agitados por múltiplas razões. As ofensas recebidas, o pouco caso de amigos, enfermidades e outras limitações naturais à própria natureza humana, tornam nossos corações agitados e desesperançados. É nesses momentos que mais se necessita da proximidade, do encontro, do consolo. Então, gritemos com toda a força de nossa fé ao “hóspede da alma”, ao Espírito Santo que habita em nós que nos seja de consolo e alívio em nossa aflição acalmando-nos o coração.

1.4. “No labor descanso, na aflição remanso, no calor aragem”. São tempos agitados estes nossos. Quem sabe buscando maior conforto ou tentando garantir um futuro mais seguro para si e para família ou, até, para acumular bens e posses; quem sabe a aflição que toma conta do nosso coração quando, vítimas de qualquer mal físico, psíquico ou espiritual, dificilmente podemos encontrar momentos de verdadeiro descanso. E, se isso não acontece conosco, as preocupações com os que nos cercam também nos atingem. Então é o momento de clamar ao Espírito de Deus que seja Ele mesmo, o nosso repouso, a suave aragem que nos ajude a superar a intranquilidade e a instabilidade do coração.

1.5. “Enchei, luz bendita, chama que crepita, o íntimo de nós!”. O mesmo “raio de luz” que pode iluminar as trevas que nos cercam num mundo cada vez mais distante de Deus, pedimos para o “íntimo de nós” tão influenciado pelas circunstâncias externas. Cremos firmemente que a “luz bendita” vai gerar no nosso íntimo a alegria tão proclamada em quase todas as páginas da EG, justamente “A Alegria do Evangelho”. Aquela alegria prometida por Jesus ao despedir-se dos primeiros seguidores do seu caminho: “Eu vos disse isso, para que a minha alegria esteja em vós, e a vossa alegria seja completa” (Jo 15,11).

1.6. “Sem a luz que acode, nada o homem pode, nenhum bem há nele”. É com essa tão sincera afirmação que confessamos nossa incapacidade de sair das trevas do pecado para deixar-nos iluminar pela luz da graça divina. Já deixei assinalado acima quantas e quantas vezes imploramos, cantando: “A nós descei divina luz...” Nesse versinho podemos repeti-la com mais força e mais convicção, plenamente conscientes de nossas limitações. No contexto da EG, lê-se que “Em todos os batizados, desde o primeiro ao último, atua a força santificadora do Espírito que impele a evangelizar. ...o Espírito guia-o na verdade e o conduz à salvação” (EG 119).

1.7. “Ao sujo lavai, ao seco regai, curai o doente”. Ao se referir a “Alguns desafios do mundo atual”, a EG cita os que podem, e realmente o fazem, produzir uma verdadeira imundície na convivência humana e, até, manchando a dignidade das pessoas: a economia de exclusão, a nova idolatria do dinheiro e outros desafios culturais e religiosos (EG. Capítulo II). Além disso, lembremos, agora de nos interrogar sobre a limpeza da nossa própria consciência e do nosso coração. Sem esquecer-nos de, nesse versinho, pedir pelos doentes físicos ou psíquicos (lembremo-nos dos doentes atingidos por esse mal, fruto tão frequente da agitação e da instabilidade emocional de hoje, chamado “depressão” que pode levar, até, ao suicídio).

1.8. “Dobrai o que é duro, guiai no escuro, o frio aquecei”. Não em uma só, mas em diversas oportunidades, Jesus censura a dureza de coração do seu povo e dos seus próprios discípulos. Em uma delas, diz: “Porque discutis sobre o fato de não terdes pães? Ainda não entendeis, nem compreendeis? Vosso coração continua endurecido? (Mt 8,17). E amiúde o papa nos adverte quanto à “globalização da indiferença”. Globalização que nos atinge também e que, mesmo sem o percebermos, vai endurecendo o nosso coração, ao mesmo tempo em que pode mergulhar-nos na escuridão do distanciamento de Jesus e na frieza espiritual. Suplicando ao Espírito Santo, perguntemo-nos em que momento da nossa caminhada, espantando o frio espiritual que pode invadir-nos, poderemos confidenciar como os discípulos de Emaús: “Não estava ardendo o nosso coração quando ele nos falava pelo caminho e nos explicava as Escrituras?” (Lc 24,32).

1.9. “Dai à vossa Igreja, que espera e deseja vossos sete dons”. Tempos providenciais para a Igreja este em que vivemos, quando o papa Francisco convoca toda a Igreja a tornar-se uma “Igreja em saída”, isto é, uma Igreja essencialmente missionária. E chega a declarar que este é um “sonho” seu: “Sonho com uma opção missionária capaz de transformar tudo...” (EG 27). Este precioso momento eclesial, portanto, está exigindo de todos nós, cristãos e católicos que, com um maior ardor, supliquemos para toda a Igreja os sete dons do Espírito Santo: Sabedoria, Inteligência, Fortaleza, Temor de Deus, Conselho, Piedade e Ciência. Logo no início da EG assim lemos: “A evangelização obedece ao mandato missionário de Jesus: ‘Ide, pois, fazei discípulos de todos os povos, batizando-os em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo, ensinando-os a cumprir tudo quanto vos tenho mandado’ (Mt 28,19-20). Nesses versículos, aparece o momento em que o Ressuscitado envia os seus a pregar o Evangelho em todos os tempos e lugares, para que a fé n’Ele se estenda por todos os cantos da terra” (EG 19).

1.10. “Dai em prêmio ao forte, uma santa morte, alegria eterna. Amém! Com que súplica mais ardente e fervorosa ao Espírito Santo poderia terminar nossa Sequência? Que prêmio mais oportuno poderíamos receber do Espírito Santo, após esta vida terrena, do que uma santa morte, vestíbulo da eterna alegria que é a ternura do abraço do Pai, abraço prometido por Jesus aos seus fieis seguidores?

Sugestão para uma reflexão pessoal e/ou do seu grupo. Visando a ajudá-los a obter maior proveito da Sequência da Missa de Pentecostes, sugiro que se leia cada um dos versinhos, primeiramente em silêncio e sem pressa e, em seguida, trocando impressões e manifestando alguns propósitos missionários, tendo em vista a “fermentação evangélica” dos seus ambientes e, à luz do Espírito Santo, uma cooperação comprometida com a ação missionária evangelizadora de sua Diocese, Paróquia, Comunidade eclesial ou Movimento.

Terminemos essas nossas tão limitadas reflexões fazendo nossa a oração a Maria, “Mãe do Evangelho vivente” no trecho final da EG: “Virgem e Mãe Maria, Vós que, movida pelo Espírito, acolhestes o Verbo da vida... Vós que permanecestes firme diante da Cruz com uma fé inabalável, e recebestes a jubilosa consolação da ressurreição, reunistes os discípulos à espera do Espírito para que nascesse a Igreja evangelizadora... rogai por nós. Amém. Aleluia!”

Com meu fraterno abraço, de todos peço a oração por mim e a todos desejo a continuidade de um festivo, alegre e participativo Tempo Pascal. Do servidor e amigo,

Pe. José Gilberto Beraldo      
Equipe Sacerdotal do GEN    
E-mail: jberaldo79@gmail.com


Carta do Pe. Beraldo - mai/2017 - clicar aqui!

Carta do Pe. Beraldo - abr/2017 - clicar aqui!

Carta do Pe. Beraldo - mar/2017 - clicar aqui!

Carta do Pe. Beraldo - fev/2017 - clicar aqui!

Carta do Pe. Beraldo - jan/2017 - clicar aqui!

Carta do Pe. Beraldo - dez/2016 - clicar aqui!

Carta do Pe. Beraldo - nov/2016 - clicar aqui!

Carta do Pe. Beraldo - out/2016 - clicar aqui!

Carta do Pe. Beraldo - set/2016 - clicar aqui!

Carta do Pe. Beraldo - ago/2016 - clicar aqui!

Carta do Pe. Beraldo - jul/2016 - clicar aqui!

Carta do Pe. Beraldo - jun/2016 - clicar aqui!

Carta do Pe. Beraldo - mai/2016 - clicar aqui!

Carta do Pe. Beraldo - abr/2016 - clicar aqui!

Carta do Pe. Beraldo - mar/2016 - clicar aqui!

Carta do Pe. Beraldo - fev/2016 - clicar aqui!

Carta do Pe. Beraldo - jan/2016 - clicar aqui!

Carta do Pe. Beraldo - dez/2015 - clicar aqui!

Carta do Pe. Beraldo - nov/2015 - clicar aqui!

Carta do Pe. Beraldo - out/2015 - clicar aqui!

Carta do Pe. Beraldo - set/2015 - clicar aqui!

Carta do Pe. Beraldo - ago/2015 - clicar aqui!

Carta do Pe. Beraldo - jul/2015 - clicar aqui!

Carta do Pe. Beraldo - jun/2015 - clicar aqui!

Carta do Pe. Beraldo - mai/2015 - clicar aqui!

Carta do Pe. Beraldo - abr/2015 - clicar aqui!

Carta do Pe. Beraldo - mar/2015 - clicar aqui!

Carta do Pe. Beraldo - mar/2015 - clicar aqui!

Carta do Pe. Beraldo - fev/2015 - clicar aqui!

Carta do Pe. Beraldo - jan/2015 - clicar aqui!

Carta do Pe. Beraldo - dez/2014 - clicar aqui!

Carta do Pe. Beraldo - nov/2014 - clicar aqui!

Carta do Pe. Beraldo - out/2014 - clicar aqui!

Carta do Pe. Beraldo - set/2014 - clicar aqui!

Carta do Pe. Beraldo - ago/2014 - clicar aqui!

Carta do Pe. Beraldo - jul/2014 - clicar aqui!

Carta do Pe. Beraldo - jun/2014 - clicar aqui!

Carta do Pe. Beraldo - maio/2014 - clicar aqui!

Carta do Pe. Beraldo - abril/2014 - clicar aqui!

Carta do Pe. Beraldo - março/2014 - clicar aqui!

Carta do Pe. Beraldo - fevereiro/2014 - clicar aqui!

Carta do Pe. Beraldo - janeiro/2014 - clicar aqui!

Carta do Pe. Beraldo - dezembro/2013 - clicar aqui!

Carta do Pe. Beraldo - novembro/2013 - clicar aqui!

Carta do Pe. Beraldo - outubro/2013 - clicar aqui!

Carta do Pe. Beraldo - setembro/2013 - clicar aqui!

Carta do Pe. Beraldo - agosto/2013 - clicar aqui!

Carta do Pe. Beraldo - julho/2013 - clicar aqui!

Carta do Pe. Beraldo - junho/2013 - clicar aqui!

Carta do Pe. Beraldo - maio/2013 - clicar aqui!

Carta do Pe. Beraldo - abril/2013 - clicar aqui!

Carta do Pe. Beraldo - março/2013 - clicar aqui!

Carta do Pe. Beraldo - fevereiro/2013 - clicar aqui!

Carta do Pe. Beraldo - janeiro/2013 - clicar aqui!

Carta do Pe. Beraldo - dezembro/2012 - clicar aqui!

Carta do Pe. Beraldo - novembro/2012 - clicar aqui!

Carta do Pe. Beraldo - outubro/2012 - clicar aqui!

Carta do Pe. Beraldo - setembro/2012 - clicar aqui!

Carta do Pe. Beraldo - agosto/2012 - clicar aqui!

Carta do Pe. Beraldo - julho/2012 - clicar aqui!

Carta do Pe. Beraldo - junho/2012 - clicar aqui!

Carta do Pe. Beraldo - maio/2012 - clicar aqui!

Carta do Pe. Beraldo - abril/2012 - clicar aqui!

Carta do Pe. Beraldo - março/2012 - clicar aqui!

Carta do Pe. Beraldo - fevereiro/2012 - clicar aqui!

Carta do Pe. Beraldo - Janeiro/2012 - clicar aqui!

Carta do Pe. Beraldo - Dezembro/2011 - clicar aqui!

Carta do Pe. Beraldo - Novembro/2011 - clicar aqui!

Carta do Pe. Beraldo - Outubro/2011 - clicar aqui!

Carta do Pe. Beraldo - Setembro/2011 - clicar aqui!

Carta do Pe. Beraldo - Agosto/2011 - clicar aqui!

Carta do Pe. Beraldo - Julho/2011 - clicar aqui!

Carta do Pe. Beraldo - Junho/2011 - clicar aqui!

Carta do Pe. Beraldo - Maio/2011 - clicar aqui!

Carta do Pe. Beraldo - Abril/2011 - clicar aqui!

Carta do Pe. Beraldo - Março/2011 - clicar aqui!

Carta do Pe. Beraldo - Fevereiro/2011 - clicar aqui!

Carta do Pe. Beraldo - Janeiro/2011 - clicar aqui!

Carta do Pe. Beraldo - Dezembro/ 2010 - clicar aqui!

Carta do Pe. Beraldo - Novembro/ 2010 - clicar aqui!

Carta do Pe. Beraldo - Setembro/ 2010 - clicar aqui!

Carta do Pe. Beraldo - Agosto/ 2010 - clicar aqui!

Página Melhor Visualizada em Resolução 800x600 no Internet Explorer
2009 MCCPELOTAS Todos os direitos reservados. Política de privacidade.