Jesus conta contigo!
 

Carta MCC do Brasil n° 202 – junho 2016

“Este é aquele de quem está escrito: 'Eis que envio meu mensageiro à tua frente para preparar o teu caminho diante de ti’. Em verdade, eu vos digo, entre todos os nascidos de mulher não surgiu quem fosse maior que João Batista. No entanto, o menor no Reino dos Céus é maior do que ele” (Mt 11, 10-11).

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Muito amados amigos e amigas no Senhor Jesus, o “Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo”: estejam com todos vocês a raça e a paz de Deus, nosso Pai:

Entre as mais significativas celebrações litúrgicas do mês de junho, está a da Natividade de São João Batista. Com exceção de Maria, é o único personagem bíblico a quem se dedica uma dupla solenidade: o nascimento em 24 de junho e a morte por decapitação em 29 de agosto, enquanto os demais santos são lembrados, apenas, no dia de sua morte. Por quê? Basta ler a citação acima para obter a resposta. O próprio Jesus dele afirma que “entre os nascidos de mulher não surgiu quem fosse maior que João Batista”. Pois bem: que atitudes João Batista, o Precursor do Messias, nos ensina a adotar hoje, seguidores que somos ou queremos ser de Jesus? Ficam aqui algumas pistas indicadas por ele.

Primeira: criar momentos de “deserto”, como João Batista: “O menino crescia e seu espírito se fortalecia. Ele vivia nos desertos, até o dia de se apresentar publicamente diante de Israel” (Lc 1,80). São preciosos os momentos de silêncio exterior e interior num mundo desvairado, agitado e ruidoso a começar no interior da própria família, no trabalho, nos ambientes, etc... Aliás, como fazia o próprio Jesus que, com frequencia, se retirava para o alto dos montes para rezar. Sempre que possível – quem sabe todas as noites - dê a você mesmo este presente: diálogo com o Pai na oração pessoal, reflexão sobre a Palavra, lectio divina ou seja, leitura orante da Bíblia...;

Segunda: alimentar-se com a oração e a Sagrada Eucaristia, não só aos domingos, mas diariamente se for possível. João Batista, no deserto, alimenta-se com alimento substancial para ele: “... o seu alimento eram gafanhotos e mel silvestre” (Mt 3,4b; Mc 1,6). Parece-me inexplicável que, sabendo da riqueza deste maravilhoso e misterioso alimento que é o Corpo e o Sangue de Jesus, tantos católicos dele se abstêm, às vezes, durante anos? Por acaso, não foi para os que se acham e se dizem indignos que Jesus afirmou justamente aos fariseus que o acusavam de comer com publicanos e pecadores: “Não são as pessoas com saúde que precisam de médico, mas os doentes. Não é a justos que vim chamar, mas a pecadores”? (Mc 2,17). E a nossa oração? Talvez fique reduzida a pedidos e mais pedidos; a queixas e exigências para as necessidades mais prementes, o que é normal. Mas, onde e quando está a oração da intimidade na qual deixamos que o Pai nos fale, penetrando o mais íntimo do nosso ser e durante a qual podemos fazer a fascinante experiência da habitação em nós da Santíssima Trindade?;

Terceira: sair para as margens do Rio Jordão, isto é, como João Batista sair do deserto, sair do comodismo, sair do “sempre foi assim...” ou do “em time que está ganhando não se mexe...” para uma mentalidade e para atitudes mais missionárias e proclamar pela palavra e testemunho de vida que “Depois de mim vem aquele que é mais forte do que eu. Eu não sou digno de, abaixando-me, desatar a correia de suas sandálias” (Mc 1,7). Simples assim: ouvindo o apelo do nosso papa Francisco, e como membro vivo do Povo de Deus, participar, comprometido, de uma Igreja “em saída”, no seu ambiente familiar, profissional ou de relações sociais, esforçar-se para, pelo seu testemunho e comportamento, para tornar conhecidos e vivenciados os valores e critérios da Boa Notícia de Jesus;

Quarta: assumir atitude profética de anúncio, isto é, de anúncio de um Acontecimento chamado Jesus e, como fez João Batista, ter a coragem de apontá-lo claramente: “No dia seguinte, João viu Jesus que vinha ao seu encontro e disse: ‘Eis o Cordeiro de Deus, aquele que tira o pecado do mundo’” (Jo 1, 29). Com muita frequencia vamos encontrar inúmeros obstáculos no cumprimento de nossa missão evangelizadora. Isso, sobretudo, numa sociedade que alguns hoje chamam de líquida, isto é, que relativiza valores absolutos chegando, até, a ignorar ou questionar a existência de um Deus Criador e Pai! Muitas vezes a sensação que nos invade pode ser a mesma experimentada por João ao anunciar aos seus conterrâneos a presença de Jesus no meio deles repetindo o profeta Isaias (Is 40,3): “Eu sou a voz de quem grita no deserto: ‘Endireitai o caminho para o Senhor’” (Jo 1,23). E o papa Francisco não se cansa de nos lembrar a “vocação para a qual fomos chamados” (cf 1Cor 7,20): “Aquele ‘ide’ de Jesus, ecoa nos cenários e nos desafios sempre novos da missão evangelizadora da Igreja, e todos somos chamados a esta nova ‘saída’ missionária. Cada cristão e cada comunidade há de discernir qual é o caminho que o Senhor lhe pede, mas todos somos chamados a aceitar esta chamada: sair da própria comodidade e ter a coragem de alcançar todas as periferias que precisam da luz do Evangelho” (EG 20).

Quinta: assumir coerentes atitudes proféticas de denúncia, como João Batista que teve a cabeça decepada por ordem de Herodes que, apesar de gostar de ouvi-lo, vivia irregularmente com a mulher do seu irmão Filipe, e, por isso não hesitou em assassiná-lo, “Pois João vivia dizendo a Herodes: ‘Não te é permitido viver com ela’” (Mt 14,4; Mc 6,25). Nesse mesmo sentido, digamos, profético, o que pensar ou, melhor, como agir quando Jesus nos fala da “correção fraterna”? “Se teu irmão pecar contra ti, vai corrigi-lo, tu e ele a sós! Se ele te ouvir, terás ganho o teu irmão” (Mt 18, 15). E Jesus prossegue indicando os vários passos a serem dados para conseguir a volta ao bom caminho daquele irmão que errou. Mas, pergunto, quantas e quantas vezes nos falta até a coragem de ser instrumentos nas mãos do Senhor para mostrar o caminho de Jesus aos que dele se afastaram ou aos que ainda não o conhecem? Ou, também, a coragem para denunciar a corrupção tão presente nos dias de hoje? Ou, o que é pior, além de não denunciar, chegar a compactuar tanto nas nossas “secretas complacências” como nas pequenas e quase nem sempre notadas transgressões de cada dia: “Se todo mundo faz, porque também eu não”?

Concluindo e insistindo... sempre e hoje, mais do que nunca, nestes tempos de crise sob todos os aspectos, inclusive o religioso - a figura de São João Batista se nos apresenta como exemplo de austeridade e sobriedade. Não quero referir-me à sua extrema severidade em relação aos seus contemporâneos - aliás, necessária para aquele povo de “dura cerviz” - ao contrário de Jesus, sempre próximo, sempre cheio de ternura e compaixão, sobretudo com os pecadores, os mais fracos, sofredores e excluídos. Lembro, sim, que mirando o precursor, é necessário que nos convençamos de que é tempo de evitar os exageros do consumismo e dos excessos em todos os campos; renunciar ao supérfluo e exercer a solidariedade e a misericórdia: “Sede misericordiosos como vosso Pai é misericordioso” (Lc 6, 36).

Finalmente,. com São João Batista, façamos com que as “periferias existenciais” insistentemente lembradas pelo papa Francisco, escutem nossa voz - ou corajosa ou tímida, não importa - e proclamemos “Eu vi, e por isso dou testemunho: ele é o Filho de Deus” (Jo 1,34).

A todos, envolvidos pelo materno abraço de Maria, a Mãe da misericórdia, o meu carinhoso abraço fraterno,

 

Pe. José Gilberto Beraldo      
Equipe Sacerdotal do GEN    
E-mail: jberaldo79@gmail.com


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