Jesus conta contigo!
 

Carta MCC do Brasil – julho 2015 (179ª.)

“Vinde, a sós, para um lugar deserto e descansai um pouco”! Havia, de fato, tanta gente chegando e saindo, que não tinham nem tempo para comer. Foram, então, de barco, para um lugar deserto, a sós (Mc 6, 30-32).


Irmãos e irmãs no Senhor Jesus Cristo, estejam com todos vocês a graça e a paz de Deus, nosso Pai, pela ação amorosa do seu Espírito Santo:

O mês de julho, aqui entre nós, no Brasil, nos remete ao clima de férias, de descanso, mesmo que quase somente das férias escolares... Entretanto, no mesmo contexto, referimo-nos ao direito ao descanso, mesmo em outras épocas do ano, como o é para a maioria das pessoas, profissionais ou não. Escolhi, pois, esse tema para nossa modesta reflexão, inspirado, também, pelo carinhoso gesto de Jesus para com seus seguidores convidando-os a irem “a sós, para um lugar deserto e descansar um pouco”. Colocado esse pano de fundo, proponho-lhes dois pontos encontrados em algumas referências do nosso Papa Francisco: a primeira no seu discurso do final do ano passado à Cúria Romana e a segunda à sua recentíssima Encíclica “Laudato si’” datada de 24 de maio de 2015, Festa de Pentecostes, e publicada em 18 de junho pp.

1. O que poderia ser, nas férias, o “Vinde, a sós, para um lugar deserto, e descansai um pouco”. Na Carta de janeiro do corrente ano, já citamos as quinze doenças enumeradas pelo Papa e de que podem padecer tanto as pessoas como os organismos da Igreja. Entre elas, a doença do “martalismo”. “A doença do ‘martalismo’ (que vem de Marta), da excessiva operosidade: ou seja, daqueles que mergulham no trabalho, descuidando, inevitavelmente, ‘a melhor parte’ – sentar-se aos pés de Jesus (cf. Lc 10,38-42). Por isso Jesus chamou os seus discípulos a ‘descansar um pouco’” (cf. Mc 6,31); porque descuidar do descanso necessário leva ao estresse e à agitação. O tempo do descanso, para quem levou a termo a sua missão, é necessário, obrigatório e deve ser levado a sério: no passar um pouco de tempo com os familiares e no respeitar as férias como momentos de recarga espiritual e física; é necessário aprender o que ensina Coelet[1] que ‘para tudo há um tempo’ (3,1-15).

Mesmo nesse tempo de descanso, um direito de todos, a referência do Papa ao “martalismo” leva-nos a valorizar, ainda mais, por se ter mais tempo livre dos deveres e obrigações diários, os momentos de oração e de reflexão da Palavra de Deus, tanto pessoalmente como em grupo. Acenando à reflexão da Palavra, porque não lembrar aqui e sugerir a leitura orante da Bíblia? Quinze minutinhos silenciados seriam o suficiente para alimentar nossa vida nessa fonte inexaurível. O Papa Bento XVI, na sua Exortação Apostólica Verbum Domini (87), sintetiza o itinerário fundamental para a lectio divina orante da Palavra de Deus (lectio divina): 1. Lectio (leitura) do texto: o que diz o texto em si?; 2. Meditatio (meditação): o que nos diz o texto bíblico?; 3. Oratio (oração): que dizemos ao Senhor em resposta à sua Palavra?; 4. Contemplatio (contemplação): qual é a conversão da mente, do coração e da vida que o Senhor nos pede? E, para estar concluída a lectio divina: 5. Actio (ação): que impele a existência do fiel a doar-se aos outros na caridade.

Deixo-lhes, então, meus caros um convite para os seus dias de descanso nas férias, sejam elas em que tempo forem: “vamos, a sós– com Jesus – para um lugar deserto (no silêncio do ambiente exterior e do coração) e, ali, descansar um pouco”? Ou para um novo “deserto”, ou seja, para um retiro espiritual? Ou para um tempo de formação? São João da Cruz, o grande místico carmelita contemporâneo de Santa Teresa de Jesus, lembra-nos em que consiste esse “deserto”: “As montanhas têm cumes, são altas, imponentes, belas, graciosas, floridas e perfumadas. Como essas montanhas, é o meu Amado para mim. Os vales solitários são tranquilos, amenos, frescos, sombreados, ricos de doces águas. Pela variedade das suas árvores e pelo canto suave das aves, oferecem grande divertimento e encanto aos sentidos e, na sua solidão e silêncio, dão refrigério e repouso: como esses vales, é o meu Amado para mim.” [2]

2. A Encíclica “Laudato si’” e o descanso. Não é intenção tratar nesta Carta da nova Encíclica do Papa Francisco “sobre o cuidado da Casa comum” – ou seja, sobre a ecologia e preservação da natureza. Devem, sim, fazê-lo, sobretudo, as Pastorais, Movimentos e Comunidades eclesiais nos momentos de formação e de reflexão sobre as orientações da Igreja. Nessa Encíclica, como sempre aconteceu na Igreja, desde as primeiras comunidades apostólicas, o Papa associa o descanso – chamado de “celebrativo” por se tratar do descanso dominical – à celebração da Eucaristia. Tranquilamente, podemos adaptar essas reflexões ao descanso do qual estamos tratando, o descanso das férias anuais. Arriscando alongar-me demasiado, transcrevo as palavras do Papa: “A participação na Eucaristia é especialmente importante no domingo... O domingo é o dia da Ressurreição, o “primeiro dia” da nova criação, que tem as suas primícias na humanidade ressuscitada do Senhor, garantia da transfiguração final de toda a realidade criada. Além disso, esse dia anuncia “o descanso eterno do homem, em Deus”. Assim, a espiritualidade cristã integra o valor do repouso e da festa. O ser humano tende a reduzir o descanso contemplativo ao âmbito do estéril e do inútil, esquecendo que desse modo se tira à obra realizada o mais importante: o seu significado. Na nossa atividade, somos chamados a incluir uma dimensão receptiva e gratuita, o que é diferente da simples inatividade. Trata-se de outra maneira de agir, que pertence à nossa essência. Assim, a ação humana é preservada não só do ativismo vazio, mas também da ganância desenfreada e da consciência que se isola buscando apenas o benefício pessoal. A lei do repouso semanal impunha abster-se do trabalho no sétimo dia, “para que descansem o teu boi e o teu jumento e tomem fôlego o filho da tua serva e o estrangeiro residente” (Ex 23, 12). O repouso é uma ampliação do olhar, que permite voltar a reconhecer os direitos dos outros. Assim o dia de descanso, cujo centro é a Eucaristia, difunde a sua luz sobre a semana inteira e encoraja-nos a assumir o cuidado da natureza e dos pobres” (n.237).

Proposta final: e se, duramente o descanso as férias, fôssemos mais frequentes à fonte da Vida participando diariamente da Eucaristia? E, em seguida, dedicássemos um pouco mais do nosso tempo, para um diálogo intimo com Jesus?

Por que não terminar esta carta com o Cântico das criaturas de S. Francisco de Assis? Com ele vai meu abraço fraterno e a lembrança de todos que faço na Eucaristia diária,

 

         

Pe. José Gilberto Beraldo      
Equipe Sacerdotal do GEN    
E-mail: jberaldo79@gmail.com

«Louvado sejas, meu Senhor,
com todas as tuas criaturas,
especialmente o meu senhor irmão Sol,
o qual faz o dia
e com sua luz nos alumia.
E ele é belo e radiante
com grande esplendor:
de Ti, Altíssimo, ele é a imagem.
Louvado sejas, meu Senhor,
pela irmã Lua e pelas Estrelas,
que no céu formaste claras
e preciosas e belas.

.

.

  "Louvado sejas, meu Senhor,
pelo irmão Vento,
pelo ar, ou nublado
ou sereno, e todo o tempo,
com o qual, às tuas criaturas, dás o sustento.
Louvado sejas, meu Senhor,
pela irmã Água,
que é mui útil e humilde,
e preciosa e casta.
Louvado sejas, meu Senhor,
pelo irmão Fogo,
pelo qual iluminas a noite:
E ele é belo e jucundo,
e vigoroso e forte».


[1] Refrescando a memória: “Coelet” é o Livro do Eclesiastes, cujo autor seria um certo Coelet.
[2] Citado na Encíclica “Laudato si’”, 235


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