Jesus conta contigo!
 

Carta MCC do Brasil n° 209 – janeiro 2017

“Deixo-vos a paz, dou-vos a minha paz. Não é à maneira do mundo que eu a dou. Não se perturbe nem se atemorize o vosso coração”... (Jo 14,27). “Eu vos disse estas coisas para que, em mim, tenhais a paz. No mundo tereis aflições. Mas, tende coragem! Eu venci o mundo” (Jo 16,33).

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Muito amados leitores e leitoras: “Para vós, graça e paz, da parte de Deus, nosso Pai, e do Senhor Jesus Cristo” (1Cor 1,3)!

Introdução.

São as palavras de Jesus que desejo colocar como tema de nossa reflexão nesta nossa primeira Carta de 2017, apropriando-me das palavras de Paulo aos Coríntios, para saudá-los com carinho no início deste novo ano. Se é grande a instabilidade política, social e até religiosa que atravessamos neste ano, as previsões para o próximo ano parecem não indicar mudanças mais profundas e positivas para o futuro, não só em nosso país como em outras partes do nosso planeta.

1. Algumas perspectivas para 2017. Ao acompanhar as notícias globais, tanto em outras geografias como aqui, parece-nos que a maior ameaça que seguiremos enfrentando são as guerras, os ataques fratricidas, a exclusão sempre mais acentuada. E talvez um dos aspectos mais graves de tudo isso é que as ‘guerras’, em maior ou menor escala, acontecem na intimidade das famílias, mesmo das que se afirmam cristãs. Não seria provável que Jesus já estivesse prevendo essa dolorosa situação ao afirmar que: “...daqui em diante, numa família de cinco pessoas, três ficarão divididas contra duas e duas contra três; ficarão divididos: pai contra filho e filho contra pai; mãe contra filha e filha contra mãe; sogra contra nora e nora contra sogra” (Lc 12,52-53)? Tudo isso leva ao ódio exacerbado, à violência, ao desamor e, como insiste o nosso papa Francisco, à “globalização da indiferença”. Diante de tal realidade e, infelizmente, de tais perspectivas para o ano que se inicia, parece-me não ser nem necessário que externemos nosso sonho que é, sempre, o anseio profundo de todo ser humano medianamente sensível aos problemas e desafios. Com efeito, sonhamos com a PAZ, ansiamos pela PAZ, queremos a PAZ.

2. Mensagem do Papa Francisco para o 50º. Dia Mundial da Paz.

Fechamos o parágrafo anterior com nossos sonhos, anseios e esperanças para 2017 com a palavra PAZ. Penso que ninguém melhor para traçar para nós, católicos, e até para homens e mulheres de boa vontade, um itinerário para a PAZ do que nosso papa Francisco. Permitam-me, pois, apresentar-lhes uma breve síntese da sua importante Mensagem para o Dia Mundial da Paz, no dia 1º. de janeiro de 2017, cujo foco se exprime no subtítulo: “A não-violência: um estilo de política para a paz”. Faço-o, embora esteja certo de que todos os católicos se empenham em conhecer as orientações do nosso Pastor, procurando conhecer por outros meios o inteiro teor dessa Mensagem que se desenvolve em sete grandes parágrafos: 1. Introdução; 2. Um mundo dilacerado; 3. A Boa Nova; 4. Mais poderosa que a violência; 5. A raiz doméstica de uma política não-violenta; 6. O meu convite; 7. Conclusão.

2.1. Introdução. Dirigindo-se aos povos e nações do mundo, chefes de Estado e Governo, o Papa “formula sinceros votos de paz”, almejando paz a cada homem, mulher, menino e menina e declarando sua oração para que “a imagem de Deus em cada pessoa humana nos permita reconhecer-nos mutuamente como dons sagrados dotados de uma dignidade imensa”. A seguir, a proposta da Mensagem: “Nesta ocasião desejo deter-me na não-violência como estilo de uma política de paz, e peço a Deus que nos ajude, a todos nós, a inspirar na não-violência as profundezas dos nossos sentimentos e valores pessoais. Sejam a caridade e a não-violência a guiar o modo como nos tratamos uns aos outros nas relações interpessoais, sociais e internacionais. Quando sabem resistir à tentação da vingança, as vítimas da violência podem ser os protagonistas mais credíveis de processos não-violentos de construção da paz”.

2.2. Um mundo dilacerado. No segundo parágrafo, com traços fortes, o Papa sintetiza o atual estado de violência que grassa no mundo e afirma:“Não é fácil saber se o mundo de hoje é mais ou menos violento que o de ontem, nem se os meios modernos de comunicação e a mobilidade que caracteriza a nossa época nos tornam mais conscientes da violência ou mais rendidos a ela”. E faz uma referência à prática dessa violência: “Seja como for, essa violência que se exerce «aos pedaços», de maneiras diferentes e em variados níveis, provoca enormes sofrimentos de que estamos bem cientes: guerras em diferentes países e continentes; terrorismo, criminalidade e ataques armados imprevisíveis; os abusos sofridos pelos migrantes e as vítimas de tráfico humano; a devastação ambiental. E para quê?”.

2.3. A Boa Nova. Jesus nos apresenta a Boa Nova que é Ele mesmo: “O próprio Jesus viveu em tempos de violência. Ensinou que o verdadeiro campo de batalha, onde se defrontam a violência e a paz, é o coração humano: «Porque é do interior do coração dos homens que saem os maus pensamentos» (Marcos 7, 21). Mas, perante essa realidade, a resposta que oferece a mensagem de Cristo é radicalmente positiva: Ele pregou incansavelmente o amor incondicional de Deus, que acolhe e perdoa, e ensinou seus discípulos a amar os inimigos (cf. Mateus 5, 44) e a oferecer a outra face (cf. Mateus 5, 39)”. E encerra o parágrafo dizendo: “A página evangélica – amai os vossos inimigos (cf. Lucas 6, 27) – é, justamente, considerada ‘a magna carta da não-violência cristã’: esta não consiste “em render-se ao mal (...), mas em responder ao mal com o bem (cf. Romanos 12, 17-21), quebrando dessa forma a corrente da injustiça”.

2.4. Mais poderosa que a violência. A começar por Madre Teresa de Calcutá, lembra o Papa tantas personagens que, pelo seu testemunho de vida, pela sua palavra e por suas lutas pela não-violência, ajudaram a construir a paz. E termina: Este compromisso a favor das vítimas da injustiça e da violência não é um patrimônio exclusivo da Igreja Católica, mas pertence a muitas tradições religiosas, para quem “a compaixão e a não-violência são essenciais e indicam o caminho da vida”. Reitero-o aqui sem hesitação: “nenhuma religião é terrorista”. A violência é uma profanação do nome de Deus. Nunca nos cansemos de repetir: “Jamais o nome de Deus pode justificar a violência. Só a paz é santa. Só a paz é santa, não a guerra”.

2.5. A raiz doméstica de uma política não-violenta. Se acompanhamos o dia a dia do Papa Francisco, entendemos que, nesta sua Mensagem para a paz, não poderia faltar uma forte referência à família: “Se a origem donde brota a violência é o coração humano, então é fundamental começar por percorrer a senda da não-violência dentro da família. Ela é parte daquela alegria do amor que apresentei na Exortação Apostólica Amoris laetitia, em março passado... A família é o espaço indispensável no qual cônjuges, pais e filhos, irmãos e irmãs aprendem a se comunicar e a cuidar uns dos outros desinteressadamente e onde os atritos, ou mesmo os conflitos, devem ser superados, não pela força, mas com o diálogo, o respeito, a busca do bem do outro, a misericórdia e o perdão”.

2.6. O meu convite. As primeiras palavras do parágrafo já afirmam o convite do Papa: “A construção da paz por meio da não-violência ativa é um elemento necessário e coerente com os esforços contínuos da Igreja para limitar o uso da força através das normas morais, mediante a sua participação nos trabalhos das instituições internacionais e graças à competente contribuição de muitos cristãos para a elaboração da legislação em todos os níveis. O próprio Jesus nos oferece um “manual” dessa estratégia de construção da paz no chamado Sermão da Montanha. As oito Bem-aventuranças (cf. Mateus 5, 3-10) traçam o perfil da pessoa que podemos definir feliz, boa e autêntica. Felizes os mansos – diz Jesus – os misericordiosos, os pacificadores, os puros de coração, os que têm fome e sede de justiça”.

Conclusão. “Como é tradição, assino esta Mensagem no dia 8 de dezembro, festa da Imaculada Conceição da Bem-Aventurada Virgem Maria. Nossa Senhora é a Rainha da Paz. No nascimento do seu Filho, os anjos glorificavam a Deus e almejavam paz na terra aos homens e mulheres de boa vontade (cf. Lucas 2, 14). Peçamos à Virgem Maria que nos sirva de guia. “Todos desejamos a paz; muitas pessoas a constroem todos os dias com pequenos gestos; muitos sofrem e suportam pacientemente a dificuldade de tantas tentativas para a construir”. No ano de 2017, comprometamo-nos, através da oração e da ação, a tornar-nos pessoas que baniram dos seus corações, palavras e gestos a violência, e a construir comunidades não-violentas, que cuidem da casa comum. “Nada é impossível, se nos dirigimos a Deus na oração. Todos podem ser artesãos de paz”.

Não poderia terminar sem o meu carinhoso abraço fraterno, desejando a todos e todas um fecundo e tranquilo 2017, generosamente abençoado pelo Pai Misericordioso.

Pe. José Gilberto Beraldo      
Equipe Sacerdotal do GEN    
E-mail: jberaldo79@gmail.com


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