Jesus conta contigo!
 

Carta MCC do Brasil n° 210 – fevereiro 2017


“Eu sou o CAMINHO, a VERDADE e a VIDA” (Jo 14,6). “Eu sou a luz do mundo: quem me segue não andará nas trevas, mas terá a luz da vida” (Jo 8,12...

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Meus caros leitores, leitoras, amigos e amigas desta partilha mensal de reflexões: desejo-lhes toda a paz e a graça de Nosso Senhor Jesus Cristo!

Como sabem, ao deixar minhas funções de Assessor Nacional do Movimento de Cursilhos, fui substituído pelo Pe. Francisco Bianchin (Pe.Xiko), que me encarregou de prosseguir escrevendo estas Cartas mensais. Ao devolver-lhe a tarefa no início deste ano, Pe.Xiko solicitou que eu continuasse com ela. Aceitando então a incumbência, agradeço novamente a confiança em mim depositada e, enquanto o Senhor houver por bem dar-me forças e alguma lucidez, disponho-me a continuar este encontro mensal no qual já podemos enumerar esta nossa 210ª Carta!

Para este mês de fevereiro, penso em propor-lhes um assunto do momento, aliás, já abordado em carta anterior, ainda que bastante superficialmente: a pós-verdade e a fé na Palavra de Deus manifestada pelas Sagradas Escrituras, sobretudo nos Evangelhos, e o seguidor de Jesus em relação com as novas perspectivas da consciência humana. Vamos percorrer um breve itinerário:

1. Recordando...

a) No que consiste a chamada “sociedade líquida”? A uma cultura primitiva (cerca de 8.000 anos) sucedeu uma cultura chamada moderna (aproximadamente até o ano de 1750). Em não mais que 200 anos (em torno de 1950), teria tido início a sociedade dita pós-moderna, agora substituída pela sociedade ou cultura que se convencionou chamar de “líquida”. Esta, como afirma o antropólogo Zygmunt Bauman, “ao contrário do que ocorreu durante o século XX, não pensa a longo prazo, não consegue traduzir seus desejos em um projeto de longa duração e de trabalho duro e intenso para a humanidade. Os grandes projetos de novas sociedades se perderam e a força da sociedade não é mais voltada para o alcance de um objetivo”. A uma cultura de objetivos “sólidos”, sucede uma cultura sem objetivos específicos, superficial e consumista.

b) E a sociedade da pós-verdade? Ainda não bem esclarecidos os rumos dessa sociedade líquida, surge, sobretudo a partir de 2016, a sociedade da “pós-verdade”. E o que é a pós-verdade? O Dicionário Oxford, afirmando que o ano de 2016 foi o ano da pós-verdade, definiu-a como “um adjetivo que se relaciona com ou denota as circunstâncias nas quais fatos objetivos têm menos influência em moldar a opinião pública do que apelos à emoção e a crenças pessoais”. Pergunta-se: tudo isso tem a ver com a missão evangelizadora da Igreja? Veremos mais abaixo. Antes, porém, uma outra anotação.

c) QS (consciência espiritual). Ainda não muito conhecida na sua conceituação ou nos seus efeitos, surge agora uma outra avaliação da consciência humana. À consciência congênita (QI), acrescenta-se a consciência emocional (QE). Acentua-se, então, a presença de uma consciência espiritual (QS) que, em nossa análise, tem a ver com a valorização de tudo o que é positivo na ação de cada um e dos dons concedidos por Deus à pessoa. Trata-se, enfim, do que se pode e deve entender por espiritualidade.

2. Desafios e atitudes de um seguidor de Jesus para o discernimento e anúncio da Palavra em tempos de pós-verdade e de consciência espiritual. Ao enviar os “outros setenta e dois discípulos” para a missão de anunciar o Reino de Deus (Lc 10,11), Jesus não lhes esconde que essa missão está cercada de inúmeros desafios e dificuldades, de obstáculos e contradições: “Eis que vos envio como cordeiros para o meio de lobos” (Lc 10,5). Seriam a “sociedade líquida”, a cultura da “pós-verdade” ou a nova consciência espiritual os lobos de hoje para o meio dos quais somos enviados como discípulos para anunciar o Reino de Deus? Ou seriam os novos demônios que devemos expulsar em nome de Jesus (cf. Lc 9,1)? Sobre esse texto evangélico remeto os caros leitores ao comentário feito em nossa carta de outubro de 2016, da qual transcrevo um parágrafo: “Sem querer exorcizar o mundo que é a “nossa casa comum”, temos que reconhecer que muitas circunstâncias e até mesmo momentos históricos de mudança ou transição de época nos distanciam do projeto de Deus. Então, um mundo criado puro e cheio de luz transforma-se num deserto vazio e tenebroso; um rebanho criado à imagem e semelhança do Criador é ameaçado pela feroz investida de lobos vorazes; o homem e a mulher despojados de sua dignidade original, voluntária ou involuntariamente, tornam-se vítimas de seus próprios sonhos...”.

2.1. Pergunta-desafio. Repetimos, então, a pergunta-desafio: tudo isso tem a ver com a missão evangelizadora da Igreja? A resposta não poderia ser outra senão a oferecida pelo nosso papa Francisco que, usando termos do dia a dia, continuamente se refere a uma “Igreja em saída” ou, como fez recentemente, lembra que a Igreja não é “estacionamento”. Em recente homilia, diz o Papa que há cristãos preguiçosos, que não têm vontade de seguir adiante, que não lutam para fazer com que as coisas mudem, cristãos “estacionados” – leigos, padres, bispos… Para esse tipo de cristão, a Igreja é um estacionamento que protege a vida, e lhes dá segurança. Para ilustrar quão negativa é essa postura, Francisco conclui dizendo: “Esses cristãos parados me fazem pensar uma coisa que quando era pequeno os nossos avós nos diziam: ‘Estejam atentos que a água parada, essa que não corre, é a primeira que apodrece”.

2.2. Onde se encontra, hoje, a messe para a qual somos enviados? Isso significa que nós, os enviados por Jesus para a messe, temos que lembrar que a messe agora está na “sociedade líquida” e não somente nos limites dos dogmas e do Direito Canônico; está na era da “pós-verdade” e não somente no absoluto de afirmações doutrinárias”; está no desenvolvimento, à luz da Palavra de Deus, de uma “consciência espiritual” e não somente na “consciência emocional” que não leva a opções efetivamente evangélicas e evangelizadoras!

Sugestão para uma reflexão pessoal e/ou do seu grupo: a) em que sentido você ou seu grupo têm entendido a envio de Jesus como cordeiros em meio a lobos ferozes? b) tem-se empregado esforço bastante e adequado para superar uma ideia de evangelização conforme a tradição, assim com “t” minúsculo, já totalmente ultrapassada ou conforme a Tradição, assim com “T” maiúsculo que é a mensagem sempre atual do Reino de Deus? c) Nas atuais circunstâncias sociais, culturais e, até, religiosas, quais são os passos para um verdadeiro seguimento de Jesus cuja identidade ele deixa muito clara: “Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida”! E em quem podemos encontrar a luz que nos guia para a vida?

3. Concluo com as palavras do Papa na EG (A Alegria do Evangelho): “Sempre que procuramos voltar à fonte e recuperar o frescor original do Evangelho, despontam novas estradas, métodos criativos, outras formas de expressão, sinais mais eloquentes, palavras cheias de renovado significado para o mundo atual. Na realidade, toda ação evangelizadora autêntica é sempre “nova”.

E faço minhas a presença e intercessão da primeira evangelizadora tão bem refirmadas pelo Papa no final da mesma EG: “Alcançai-nos agora um novo ardor de ressuscitados para levar a todos o Evangelho da vida que vence a morte. Dai-nos a santa ousadia de buscar novos caminhos para que chegue a todos o dom da beleza que não se apaga”.

Com um forte, fraterno e carinhoso abraço do irmão e amigo no Senhor Jesus Cristo,

Pe. José Gilberto Beraldo      
Equipe Sacerdotal do GEN    
E-mail: jberaldo79@gmail.com


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