Jesus conta contigo!
 

Carta MCC do Brasil nº 196 – dezembro 2015

“Quando se completou o tempo previsto, Deus enviou seu Filho, nascido de mulher, nascido sujeito à Lei, para resgatar os que eram sujeitos à Lei, e todos recebermos a dignidade de filhos" (Gl 4, 4).

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Queridos leitores e leitoras, estejam com vocês o amor e a paz de Deus Pai misericordioso!

Ano após ano, chega o momento de celebrarmos, unidos a todo o Povo de Deus, as festas de Natal de Nosso Senhor Jesus Cristo. Não é diferente neste ano de 2015. Diferem, entretanto a maneira e o espírito com que se celebram os acontecimentos do Natal. Assim, num primeiro ponto, proporemos algumas reflexões sobre esta celebração tanto por uma sociedade da qual fazemos parte, e que cada vez mais vai-se distanciando da mensagem e dos critérios d’Aquele que veio anunciar o Reino de Deus, como pelos fieis seguidores de Jesus no caminho aberto por Ele. Num segundo momento, ainda que em poucas linhas, vamos nos dar conta da história da nossa Igreja, quando o Papa Francisco anuncia o Ano Santo da Misericórdia ou, o Jubileu Extraordinário da Misericórdia. Antes de continuar, porém, deixemo-nos envolver pela mensagem acima, de São Paulo aos Gálatas. Ela será o pano de fundo a nos inspirar e orientar nossa caminhada até o Natal.

1. Advento e Celebração do Nascimento de Jesus.

a) numa sociedade líquida e numa cultura materialista. Entende-se hoje por “sociedade líquida” aquela que se caracteriza por propostas que desprezam os valores e critérios mais profundos para a construção e o desenvolvimento da pessoa, levando-a a viver de maneira superficial e num vazio existencial, provocando sonhos que, apenas realizados, exigem uma busca infindável de outros e mais sonhos.... Naturalmente, nasce aí uma cultura materialista, relativista e muito distante do projeto de Deus, levando unicamente a satisfações imediatas. Dessa forma, valoriza-se o ter em detrimento do ser, levando a uma insaciável e frenética sede de consumo que, por sua vez, gera profundas diferenças sociais. Nessa linha é que vai, de fato, o modo como se concebe e se vive este tempo tão especial como o Advento e o Natal. Apresentam-se, então, aspectos de outras culturas e de outras concepções religiosas. Um velhinho ridiculamente obeso, tingido de vermelho e branco, deslizando seu trenó ou o que seja, sobre a neve (que, aliás, por aqui ninguém viu nem verá!) para, enfim, entrar por uma chaminé fictícia e depositar seus presentes em uma árvore de natal geralmente de.. plástico. Ai vai o papai-noel! Nos grandes templos de consumo que recendem a incenso com suas “capelas” abarrotadas de material e de gente, posta-se ele no seu pretenso trono, enquanto as crianças, sentadas em seu colo esperam, sorridentes, uma foto, As mesmas crianças que nem sempre podem acolher-se no colo de suas mães muito ocupadas... Advento e Natal para esta sociedade e cultura significam dar e receber presentes (muitos deles inúteis); uma lauta ceia, comida e bebida enquanto se deseja “um feliz natal”...ai está o “espirito de natal” ou “clima de natal” enquanto o consumo exagerado e, às vezes, incontrolável gera tanto agressão à natureza como um pecaminoso desperdício de toneladas de alimentos! Em resumo: assim é o natal na sociedade líquida que desconhece a partilha e a compaixão!

b) no caminho aberto por Jesus 1. É nesta sociedade que Deus nos colocou. Dela não temos que fugir. Pelo contrário, dela podemos e devemos participar ativa e, também, moderadamente, vivendo seu progresso, seus momentos de alegria e de tristeza, de conquistas e derrotas, do seu presente e do seu futuro. Não nos esqueçamos que nela Jesus nos coloca para sermos fermento, sal e luz (cf Mt 5, 13.14). Portanto, para nela introduzir o autêntico fermento que são os valores do Reino de Deus; “reino eterno e universal: reino da verdade e da vida; reino da santidade e da graça; reino da justiça e da paz”2; para nela acrescentar o sal que lhe dará o verdadeiro sabor e para nela brilhar como uma luz no meio das trevas. Eis que o Advento e o Natal hão de ser alguns desses momentos propícios para manifestar, pelo nosso testemunho de vida, que reconhecemos naquele Menino, deitado num berço de palha, docemente contemplado por Maria, sua mãe, e por José “homem justo” (cf Mt 1, 39), por pastores solitários vigias da noite e aclamado pelos anjos - “Glória a Deus nas alturas e na terra paz aos homens por Ele amados” - , reconhecemos, repito, o rei que virá para anunciar ao povo de todos os tempos que “está próximo o reino dos céus”, mas que “é chegado o reino de Deus” (cf Mt 3,2; 4,17; 10,7; 12,28)!

Enquanto aquele modelo de sociedade e cultura se perde nos ruídos do superficial, do transitório, das luzes ofuscantes do consumo, o seguidor de Jesus anda no caminho aberto por Ele. É o Advento. É a consciente preparação para recebê-lo, de novo, nesta noite especial de 25 de dezembro de 2015. “Enquanto o silêncio envolvia a terra, a noite estava em meio ao seu curso, a vossa divina Palavra, Senhor, veio a nós do seu trono real” (Antífona do Magnificat do dia 26 de Dezembro).

Como João Batista somos enviados como “Voz do que clama no deserto: Preparai o caminho do Senhor, endireitai as veredas para ele” (Mt 3,3). “Preparar o caminho e endireitar as veredas” neste Advento e Natal significa trabalhar, com todas as nossas forças, pela justiça, pela fraternidade, pelo perdão, pela solidariedade, pela misericórdia e compaixão. Então, vamos celebrar, vamos festejar, vamos nos alegrar! E, também, com a moderação necessária, sobretudo nestes tempos tão desafiadores, e na medida do possível, vamos melhorar nossa alimentação, sim; trocar nossos presentes, sim; manifestar o nosso carinho, sim! Mas vamos, de maneira muito especial, partilhar o que somos e o que temos. Então, a todos que encontrarmos, mesmo aos desconhecidos, em vez do superficial e protocolar “feliz natal” do consumo, desejaremos um “Santo Natal” da graça, de paz e do amor de Deus anunciados pelo Menino do presépio!

Sugestão para reflexão pessoal e/ou em grupo. Seria, por acaso, necessária alguma sugestão, depois da tentativa de penetrarmos no mistério central de nossa fé, a Encarnação de Jesus? Entretanto é oportuno que revisemos a nossa mentalidade e os nossos costumes: somos constantemente engolidos pela tal sociedade líquida ou nos decidimos ao seguimento dos passos de Jesus desde o seu nascimento? Celebrando as alegrias do Natal, saberemos estar mais abertos à graça e ao amor do que voltados para o consumo exagerado e para exposição de nossa vaidade?

2. O Ano da Misericórdia. Como foi dito, não é intenção esmiuçar a Bula do Papa Francisco instituindo o Ano Santo da Misericórdia, ou o Jubileu Extraordinário da Misericórdia, que tem início com a abertura da Porta da Misericórdia, no dia 8 de dezembro próximo – 2015 - festa da Imaculada Conceição de Maria, prolongando-se até o dia 20 de novembro de 2016, solenidade de Cristo Rei. Certamente todas as Dioceses do mundo, abrindo a Porta da Misericórdia em suas igrejas, vão orientar Paróquias, Comunidades e Movimentos sobre como assumir, na prática diária da Igreja as orientações pastorais em tão boa e oportuna hora propostas pelo Papa Francisco. Entretanto, antes de tudo, é necessário e urgente que cultivemos uma autêntica “espiritualidade da misericórdia”, isto é, deixarmo-nos transformar “por dentro” porJesus Cristo que é “O rosto da Misericórdia do Pai”.

Permitam-me sugerir uma das inúmeras iniciativas que podemos pôr em pratica, que consiste, durante todo o Ano da Misericórdia, em trabalharmos o nosso interior e manifestemos com o nosso testemunho a riqueza dos salmos que cantam a misericórdia do Pai revelada. Por exemplo, um maravilhoso salmo citado pelo Papa no nº 7 da Bula, o Salmo 136, cujo refrão não só é fácil de memorizar, mas traz para o nosso interior uma paz indizível e uma esperança inimaginável na misericórdia do Pai da qual, aliás, todos necessitamos, pois “ETERNA É A SUA MISERICÓRDIA”!

Não poderia terminar esta nossa última Carta do ano de 2015 sem pedir aos meus queridos leitores e leitoras a caridade de rezarem por mim, de lhes dizer que todos estão sempre presentes nas minhas celebrações diárias e de lhes desejar ardentemente, do mais profundo do meu coração, um SANTO NATAL e um ABENÇOADO ANO de 2016!

 

Pe. José Gilberto Beraldo      
Equipe Sacerdotal do GEN    
E-mail: jberaldo79@gmail.com


1 Trata-se do sub-título dos comentários em quatro volumes aos quatro Evangelhos.
   Autor: José Antonio Pagola

2 Prefácio da Missa da Solenidade de Cristo Rei.
3 Algumas traduções bíblicas usam a expressão “Eterno é o seu amor”, o que vem a
   ter o mesmo significado, pois a mais autêntica expressão do amor é a misericórdia!

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