Jesus conta contigo!
 

Carta MCC do Brasil –abril 2015 (176ª.)

Se ressuscitastes com Cristo, buscai as coisas do alto, onde Cristo está entronizado à direita de Deus; cuidai das coisas do alto, não do que é da terra. Pois morrestes, e a vossa vida está escondida com Cristo em Deus. Quando Cristo, vossa vida, se manifestar, então vós também sereis manifestados com ele, cheios de glória." (Colossenses, 3, 1-4).


Caríssimos leitores e leitoras: sirva como pano de fundo para esta nossa reflexão mensal o texto acima de São Paulo aos Colossenses.

No clima celebrativo das alegrias pascais e por me parecer oportuno, permitam-me partilhar com todos um artigo que redigi para o boletim INFORMATIVO da Paróquia de Santa Cecília, em São Paulo.

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Páscoa da Ressurreição: mito ou esperança?

Nós, católicos, celebraremos a Páscoa da Ressurreição do Senhor deste ano de 2015 no domingo, dia 05 de abril.
Estão sendo escritas estas linhas no momento do “roxo” tripé da Quaresma – oração, jejum, caridade – que é, ao mesmo tempo, aquele momento solidamente cimentado na esperança da fulgurante luminosidade da Ressurreição. Ressurreição de Jesus, nossa ressurreição! “Creio na ressurreição da carne” é uma das mais vivas e constantes afirmações da nossa fé; “Creio na vida eterna”, lembrada no Símbolo apostólico ou, se se preferir: “Espero a ressurreição dos mortos e a vida do mundo que há de vir”, do Creio Niceno-Constantinopolitano.

1. Seria a Ressurreição de Jesus um mito? Entretanto, diante de tantas e tão diversificadas propostas vindas de uma sociedade e de uma cultura a cada dia mais distantes do Transcendente, do Absoluto, do Eterno, assim como da religiosidade daí derivada, cabe uma intrigante pergunta: afinal, a Páscoa da Ressurreição teria sido uma piedosa criação das primeiras comunidades cristãs com o objetivo de “divinizar” aquele grande profeta e milagreiro chamado Jesus? Ou, quem sabe até, seria um mito, isto é, uma “representação de fatos e/ou personagens históricos, amplificados através do imaginário coletivo e de longas tradições orais ou escritas”[1]? Ou, ainda na dimensão mítica, seria a Páscoa uma invenção de filósofos admiradores e cultores de uma doutrina em tudo admirável e digna de ser estudada e aprofundada para mero conhecimento, sem qualquer referência a fatos concretos que levem a uma opção de vida? Ou, ainda, seria a Páscoa mais uma “criativa invenção” de uma sociedade avidamente consumista e materialista que, ignorando o sentido mais profundo de uma simbologia mística, a reduz a meros e insistentes apelos comerciais para fazer com que crianças e adultos se esbaldem nos chamados “ovos de páscoa” ou se empanturrem devorando os achocolatados “coelhos de páscoa”?

2. Páscoa da Ressurreição, esperança do seguidor de Jesus. Mas, prezados leitores e leitoras, existe uma outra maneira de olhar e viver a Páscoa: olhemos a Páscoa da Ressurreição de Jesus e, portanto, também a nossa própria ressurreição, a nossa Páscoa – a “ressurreição da carne” -, com os nossos olhos iluminados pela fé. Páscoa quer dizer “passagem”. Páscoa significa Vida nova. Para os hebreus, escravos dos faraós egípcios, a páscoa foi a passagem através do Mar Vermelho a pé enxuto para a terra prometida, “terra onde corre leite e mel” (cf.Ex 3,8), para uma vida nova. Para nós, seguidores de Jesus, a Páscoa, como o foi para povo eleito, é também um tempo de passagem. Passagem por estes tempos tão conturbados e de mudança de época como, talvez, nunca houve na história da humanidade. E, também como o foi para o mesmo povo da primeira Aliança, a nossa Páscoa é, também, um tempo de travessia e, por isso mesmo, um tempo de esperança. Anseio de esperança de uma vida nova no “já, agora”. Mas, sobretudo, no “ainda não”.

2.1. A esperança no “já, agora”. Comprometidos com a mensagem evangélica anunciada por Jesus, também nós entraremos naquela “terra onde correm leite e mel” que todos os esforçamos por preparar, já agora, na luta pela justiça, pela fraternidade, pelo perdão, pela solidariedade e pela compaixão. Terra na qual, pela ação consciente e engajada de todo o cristão, fiel a Jesus, desaparecerá a “globalização da indiferença” da qual nos fala o Papa Francisco na sua oportuna Mensagem para a Quaresma de 2015: “Quando estamos bem e comodamente instalados, esquecemo-nos certamente dos outros (isto, Deus Pai nunca o faz!), não nos interessam os seus problemas, nem as tribulações e injustiças que sofrem; e, assim, o nosso coração cai na indiferença: encontrando-me relativamente bem e confortável, esqueço-me dos que não estão bem! Hoje, esta atitude egoísta de indiferença atingiu uma dimensão mundial tal que podemos falar de uma globalização da indiferença. Trata-se de um mal-estar que temos obrigação, como cristãos, de enfrentar.Quando o povo de Deus se converte ao seu amor, encontra resposta para as questões que a história continuamente nos coloca. E um dos desafios mais urgentes, sobre o qual quero deter-me nesta Mensagem, é o da globalização da indiferença”. Depois de tão veemente apelo, queremos manter viva nossa esperança continuando de braços cruzados?

2.2. A esperança no “ainda não”. Aqui o nosso olhar à luz da fé, deveria brilhar de esperança. Pois, ouçamos o próprio Jesus: “Esta é a vontade do meu Pai: quem vê o Filho e nele crê tenha vida eterna. E eu o ressuscitarei no último dia” (Jo 6, 40). Pois, ainda não é o bastante? Então, apuremos melhor os ouvidos e escutemos mais atentamente o que nos diz o Mestre: “Eu a ressurreição e a vida. Quem crê em mim, ainda que tenha morrido, viverá. E todo aquele que vive e crê em mim, não morrerá jamais” (Jo 11, 25-26). Iluminado assim o nosso caminhar, “olhos fixos em Jesus Ressuscitado”, o “ainda não” da nossa fé será a garantia de nossa alegria e o alimento inesgotável para nossa vida, apesar de todos os seus tropeços, de todas as suas provações, de todas as suas desilusões e, até, de suas amarguras sempre presentes nas limitações humanas. Por isso, ouçamos atentamente a palavra de ânimo do Papa Francisco que, ao terminar o parágrafo 86 da EG, nos convoca a que: “Não deixemos que nos roubem a esperança!”.

Conclusão. A esperança pascal no “já, agora” e no “ainda não” faz da vida do fiel seguidor de Jesus na sua caminhada para a cruz e para a ressurreição, uma vida sempre nova de contínua PÁSCOA DA RESSURREIÇÃO”. É por esta razão que, na liturgia, cada domingo é o DIA DE UMA NOVA PÁSCOA! Que desejo plena para todos, queridos leitores e leitoras!

Meu carinhoso abraço fraterno no amor de Cristo Ressuscitado,

            

Pe. José Gilberto Beraldo      
Equipe Sacerdotal do GEN    
E-mail: jberaldo79@gmail.com


[1] Dicionário HOUAISS da língua portuguesa

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