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Carta MCC do Brasil n° 220 dezembro 2017

"No sexto mês, o anjo Gabriel foi enviado por Deus a uma cidade da Galiléia, chamada Nazaré, a uma virgem desposada com um homem que se chamava José, da casa de Davi e o nome da virgem era Maria. Entrando, o anjo disse-lhe: Ave, cheia de graça, o Senhor é contigo. Perturbou-se ela com estas palavras e pôs-se a pensar no que significaria semelhante saudação. O anjo disse-lhe: Não temas, Maria, pois encontraste graça diante de Deus. Eis que conceberás e darás à luz um filho, e lhe porás o nome de Jesus. Ele será grande e chamar-se-á Filho do Altíssimo, e o Senhor Deus lhe dará o trono de seu pai Davi; e reinará eternamente na casa de Jacó, e o seu Reino não terá fim” (Lc 1,26-33)

Irmãos e irmãs que fielmente nos acompanham durante todo o ano na leitura destas nossas cartas mensais, “graça e paz, da parte de Deus, nosso Pai, e do Senhor Jesus Cristo” (1Cor 1,3).

No mês de dezembro, claro, pontifica o Natal. São festas... flores... presentes dados e recebidos... Chegou, enfim, a Noite Feliz, “Pois nasceu para nós um menino, um filho nos foi dado. O poder de governar está nos seus ombros. Seu nome será Maravilhoso Conselheiro, Deus forte, Pai eterno, Príncipe da Paz” (Is 9, 6). Nesse dia tudo é novo... tudo é alegria... tudo são canções alusivas ao “Menino que nos foi dado”... tudo nos motiva sob a luz da fé. E, em meio a essa motivação, alguns questionamentos devem nos incomodar e levar-nos a respostas próprias de nossa condição de cristãos...

1. Um Natal que nos interrogue. Será que para a nossa “sociedade líquida”, isto é, vazia de valores absolutos, exageradamente consumista e perigosamente relativista, é essa a razão de ser de tantas festas, de tantos presentes, de tantos balofos papais-noéis, de tantas árvores de natal, de tantas comemorações? Ou tudo se quedou paganizado, desfigurado ou desconstruído e, por isso, distante da maravilhosa novidade de um novo nascimento do Menino e, ostensivamente, insensível à sua mensagem de paz? Ou distante anos-luz da misteriosa e, ao mesmo tempo, alegre mensagem cantada pelos anjos naquela noite luminosa, continuada pelos séculos afora? Ou daquela mensagem anunciada pelos mesmo anjos aos humildes pastores ainda com “muito medo”: “E isto vos servirá de sinal: encontrareis um recém-nascido, envolto em faixas e deitado numa manjedoura”? (cf Lc 2, 12).

E, para a nossa Igreja, Povo de Deus já nos alvores do século XXI? Ao celebrar, novamente, aquela noite feliz, portadora da nova Luz para um mundo envolvido nas trevas do distanciamento do Reino, da Palavra transformadora do Pai eternamente pronunciada ou seja, de Jesus que renasce a cada dia e que faz novas todas as coisas, é um renascimento que ela celebra? Pois, lembra-nos o autor da Carta aos Hebreus: “Jesus Cristo é o mesmo, ontem, hoje e sempre” (Hb 13,8).

2. Um novo Natal para o Povo de Deus, a Igreja. Para todos nós, que desejamos ser fiéis seguidores dos passos de Jesus, essa data quer significar um renascimento da Igreja, de uma nova maneira de ser Povo de Deus, de um novo Natal. Um Natal que, mesmo sem tantas luzes, tantas árvores luminosas – aliás, muitas delas de plástico – tantos balofos papais-noéis, tantos presentes dados ou recbidos, ou até mesmo tantos presépios, possa estar presente em nossas tão controvertidas realidades. Se o papa Francisco, corajosamente e inspirado pelo Espírito Santo – como, aliás, devemos crer, nós fieis atentos à voz do mesmo Espírito de Deus – vem escancarando as janelas e as portas da Igreja para um tempo novo, essa Igreja não será uma Igreja somente de Francisco, mas será uma Igreja rejuvenescida, anunciadora do Evangelho vivo, uma jovem Igreja proclamadora do Reino de Deus já presente no meio de nós!

3. Um novo Natal, uma nova primavera eclesial. Aqui e alí, teólogos, pastoralistas e, mesmo autores não católicos têm-se referido, com frequência, a que estamos presenciando e vivendo uma nova primavera da Igreja. Essa nova primavera teria seu início com o Concílio Vaticano II, encerrado em 1965, e, depois de uma como que hibernação, refloresceria agora com novo vigor, com o papa Francisco. Nesse sentido, poderíamos falar de um novo “nascimento”? Ou, de novo Natal “eclesial”? Um Natal não de pompas e circunstâncias, não de longas capas magnas pontificais encimadas por preciosos arminhos, mas um Natal como foi o primeiro: um Natal para os pobres pastores indormidos na caladada noite, mas surpreendidos pela solidariedade e pela comunhão do amor fraterno? Não deixa de ser comovente quando, ao passar por mendigos, excluídos ou, até, drogados dormindo nas calçadas, ver alguém, assim em silêncio, depositar ao lado deles alguns pãezinhos ou um pacote de biscoitos ou algumas frutas. Este, sim, é um Natal não marcado somente por belas teorias teológicas nem por rígidas disciplinas canônicas, mas pelo espírito primaveril do Menino que denota, também, uma nova primavera eclesial: a que dá lugar à Igreja da misericórdia, do perdão, da cultura do encontro, do abraço carinhoso de irmãos e irmãs que se amam envolvidos pelo amor de Jesus! Uma Igreja não mais construtora de muros de separação e de excomunhão e, sim, uma Igreja lançadora de pontes de diálogo e comunhão. Ou, se quiserem, não seria uma nova primavera eclesial presenciar o testemunho inaudito de um Pastor, Bispo de Roma e Sumo Pontífice da Igreja que, quase às vésperas do Natal, no Dia Universal do Pobre, oferece na Sala Magna do Vaticano um almoço para 1.500 pobres, com eles partilhando a mesma mesa?

4. A gravidez de um novo Natal um novo renascer da Igreja. Num momento da mais íntima e silenciosa oração, um anjo enviado por Deus, traz a Maria uma surpreendente notícia: “Não tenhas medo, Maria! Encontraste graça junto a Deus. Conceberás e darás à luz um filho, e lhe porás o nome de Jesus”. E, a uma virgem assustada, tentando uma tímida resposta, o anjo acrescenta: “O Espírito Santo descerá sobre ti, e o poder do Altíssimo te cobrirá com a sua sombra. Por isso, aquele que vai nascer será chamado santo, Filho de Deus”. Pois bem, nesse novo renascer da Igreja, Maria, chamada depois do Concílio Vaticano II pelo Papa Paulo VI de “Mãe da Igreja” encontra-se grávida de um novo Povo de Deus. Assim como no primeiro Natal ela deu à luz o Filho de Deus e, não tendo sido aceita em nenhuma hospedaria, reclina-o na manjedoura da exclusão, da pobreza, no meio dos pobres e esquecidos na noite, hoje Maria está grávida de uma nova Igreja cujo parteiro – se assim posso me expressar – é o nosso amado papa Francisco. Eis que Maria, neste novo Natal, dará à luz todo um Povo peregrino para a pátria celeste.

Sugestão para reflexão pessoal e/ou em grupo. Ao tomar consciência de uma nova realidade histórica social, cultural, religiosa, qual deve ser o novo modo de pensar e agir do cristão ao celebrar um novo Natal de Jesus? Que dificuldades podem-se encontrar para abrir-se ao novo? Haveria disposição interior para enfrentar os novos desafios com uma renovada esperança? No atual horizonte da Igreja católica, no contexto de um novo Natal, como o grupo vê ou, melhor, como analisa o testemunho de uma nova “primavera eclesial” dado pelo nosso corajoso papa Francisco? Com esse espírito de quase ansiosa expectativa de um novo parto, rezemos uma pequena parte da Oração final a Maria, a Estrela da Nova Evangelização, que se encontra na Evangelii Gaudium (EG):

Vós, cheia da presença de Cristo,
levastes a alegria a João, o Batista,
fazendo-o exultar no seio de sua mãe.
Vós, estremecendo de alegria,
cantastes as maravilhas do Senhor.
Vós, que permanecestes firme diante da Cruz
com uma fé inabalável,
e recebestes a jubilosa consolação da ressurreição,
reunistes os discípulos à espera do Espírito
para que nascesse a Igreja evangelizadora.
Alcançai-nos agora um novo ardor de ressuscitados
para levar a todos o Evangelho da vida
que vence a morte.
Dai-nos a santa ousadia de buscar novos caminhos
para que chegue a todos
o dom da beleza que não se apaga.

Com meu fraterno abraço e meu carinho, concluo esta nossa última carta do ano, desejando a todos um Santo Natal e fecundo 2018!

Pe. José Gilberto Beraldo      
Equipe Sacerdotal do GEN    
E-mail: jberaldo79@gmail.com



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