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Carta MCC do Brasil n° 253 - setembro 2020


Quando encontrei tuas palavras, alimentei-me; elas se tornaram para mim uma delicia, e a alegria do coração, o modo como invocar teu nome sobre mim, Senhor, Deus dos exércitos” (Jr 15,16).


Caros irmãos, caras irmãs, leitores e leitoras com os quais partilho, com alegria e entusiasmo, as reflexões contidas nestas cartas mensais: seja abundante em seus corações e em suas vidas o alimento nutritivo da Palavra de Deus.

Introdução. A Igreja Católica no Brasil dedica o último domingo do mês de setembro à Bíblia sagrada. É o Dia Nacional da Bíblia. Seria, por acaso, uma celebração meramente convencional? Ou que denote algum oportunismo? Ou para entrar na onda de dedicar um dia especifico a todas as “criatividades” sociais e pessoais? Ofereço-lhes duas breves motivações que poderão ajudar nossas reflexões e decisões tendo a Palavra de Deus por divina inspiração.

Primeira motivação. É essencial não esquecer que a motivação fundamental para a aceitação e a prática da Palavra está na convicção de nossa fé. Escrita na Bíblia com palavras humanas, é pela fé que a Palavra se torna resplendente com a própria luz divina. Do contrário, continuaria letra morta como todas as letras puramente humanas. Portanto, ao ter a Bíblia em mãos, renove sua fé na revelação de Deus que você vai escutar. Escutar para por em prática. E pôr em prática a Palavra é viver no cotidiano da vida o que nos lembra o profeta Jeremias: “elas se tornaram para mim uma delicia e a alegria do coração…” Pôr em prática a Palavra é esforçar-se para fazer a vontade de Deus incondicionalmente e essa é precisamente a atitude que Jesus pede a seus seguidores: “Pois todo aquele que faz a vontade do meu Pai que está nos céus, esse é meu irmão, minha irmã e minha mãe” (Mt 12, 50). Acrescento uma belíssima expressão do profeta Isaias: “Pois tanto quanto o céu acima da terra, assim estão os meus caminhos acima dos vossos e meus pensamentos distantes dos vossos. E como chuva e a neve que caem do céu para lá não voltam sem antes molhar a terra e fazê-la germinar e brotar, a fim de produzir semente para quem planta e alimento para quem come, assim também acontece com a minha palavra: Ela sai da minha boca e para mim não volta sem produzir seu resultado, sem fazer aquilo que planejei, sem cumprir com sucesso a sua missão” (Is 55, 9-11).

Segunda motivação, ou a prática da leitura da Bíblia. Com maior eficácia do que minhas limitadas palavras, ouçamos com atenção o que nossa diz o Documento de Aparecida ao introduzir o capítulo sobre a Formação dos Discípulos: "Entre as muitas formas de se aproximar da Sagrada Escritura, existe uma privilegiada à qual todos somos convidados: a lectio divina, ou o exercício da leitura orante da Sagrada Escritura. Essa leitura orante, bem praticada, conduz ao encontro com Jesus-Mestre, ao conhecimento do mistério de Jesus-Messias, à comunhão com Jesus-Filho de Deus e ao testemunho de Jesus-Senhor do universo. Com seus quatro momentos (leitura, meditação, oração, contemplação), a leitura orante favorece o encontro pessoal com Jesus Cristo semelhante ao modo de tantos personagens do evangelho: Nicodemos e sua ânsia de vida eterna (cf. Jo 3,1-21), a Samaritana e seu desejo de culto verdadeiro (cf. Jo 4,1-42), o cego de nascimento e seu desejo de luz interior (cf. Jo 9), Zaqueu e sua vontade de ser diferente (cf. Lc 19,1-10)… Todos eles, graças a esse encontro, foram iluminados e recriados porque se abriram à experiência da misericórdia do Pai que se oferece por sua Palavra de verdade e vida. Não abriram o coração para algo do Messias, mas ao próprio Messias, caminho de crescimento na “maturidade conforme a sua plenitude” (Ef 4,13), processo de discipulado, de comunhão com os irmãos e de compromisso com a sociedade.” (Documento de Aparecida, 249).

Sugestão para reflexão pessoal e/ou em grupo. Vivemos num tempo de profusão de informação e “criatividade”. É muito comum encontrarmos, nas redes sociais, um sem-número de orações, muitas vezes poéticas e comoventes, mas cujo conteúdo remete mais a emoções pessoais, ou às tais correntes de oração, que visam a alcançar esta ou aquela graça, como uma barganha, do que a experiências profundas de comunhão com Deus. A Igreja, sempre mãe e sempre mestra, ao oferecer-nos a “lectio divina”, quer precisamente ajudar-nos a sair da superficialidade com que, muitas vezes, conduzimos nossas orações e reflexões. Por que não começar agora, aproveitando, inclusive, o próprio tempo às vezes “ocioso” que a obrigatoriedade do isolamento social acaba por nos proporcionar? Faça a experiência – individualmente, com sua família, ou talvez por algum desses modernos meios de reunião virtual, com os amigos, com os integrantes do seu grupo. Se ainda não conhece o Novo Testamento com a “lectio divina”, busque adquiri-lo (a Editora Ave-Maria[1] pode fornecê-lo). O enriquecimento à sua espiritualidade bíblica será, com certeza, inegável.

Com meu habitual abraço fraterno e desejo de uma profícua “leitura orante” da Palavra do Senhor, despeço-me.

Pe. José Gilberto Beraldo      
Equipe Sacerdotal do GEN    
E-mail: jberaldo79@gmail.com


[1] Outras Editoras católicas, como colaboração durante este mês da Bíblia, também oferecem preços promocionais.


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