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Carta MCC do Brasil n° 246 - fevereiro 2020


“Quando acabou de falar, disse a Simão: ‘Avança mais para o fundo, e ali lançai vossas redes para a pesca’. Simão respondeu: ‘Mestre, trabalhamos a noite inteira e não pegamos nada. Mas, pela tua palavra, lançarei as redes’” (Lc 5, 4-5).


Queridos leitores e leitoras, irmãos e irmãs na tarefa ingente de seguir lançando as redes: estejam com vocês a alegria e a confiança indispensável à palavra do Mestre.

Introdução. Ainda repercutem em nossos ouvidos os ecos e ruídos do final de um ano e do início de uma nova etapa na história da humanidade. No entanto, já adentramos o segundo mês do ano de 2020. Para os que têm, com certeza como todos nós, “os olhos fixos em Jesus” (Hb 12, 2a) é fundamental analisarmos aqui, ainda que superficialmente, o significado e as consequências do que seria hoje, essa ordem de Jesus de “avançar mais para o fundo”, registrada no Evangelho. Lembremos que, pescadores profissionais que eram, provavelmente aqueles futuros “pescadores de homens”, já haviam experimentado o perigo que representava aventurar-se “mais para o fundo” ou “pescar em águas mais profundas”. Não teriam eles testemunhado a perda da vida, por afogamento, de um ou outro companheiro de pesca, que tivesse ousado aventurar-se por aquelas profundezas? Era natural, portanto, terem medo! Mas ali estava o Mestre e Pedro não teve dúvidas: “Mas, pela tua palavra, lançarei as redes”.

1. O que são as “águas mais profundas” em nossa missão evangelizadora. Ainda que sem qualquer referência a “águas mais profundas”, todo o Capítulo II da Exortação Apostólica “Evangelii Gaudium” (EG, 52-109) do papa Francisco é praticamente um elenco, dessas “águas”, que o papa chama de “desafios do mundo atual”: a) Economia de exclusão; b) Idolatria do dinheiro; c) Dinheiro que governa ao invés de servir; d) Desigualdade social que gera violência. A essas “assustadoras” águas onde devemos pescar, o Papa ainda acrescenta “alguns desafios culturais”.

Esses “desafios culturais”, a meu juízo, constituem o mais profundo das águas mais profundas, pois têm uma forte interferência na formação da mentalidade das pessoas. Por quê? Porque ao condicionar a mentalidade, condiciona-se a maneira de agir das pessoas. Os resultados são claros: a) Na cultura dominante ocupa o primeiro lugar aquilo que é exterior, imediato, visível, rápido, superficial, provisório. O real cede lugar à aparência; b) A fé católica encontra-se, hoje, perante o desafio da proliferação de novos movimentos religiosos, alguns tendentes ao fundamentalismo e outro que parecem propor uma espiritualidade sem Deus; c) O processo de secularização tende a reduzir a fé e a Igreja ao âmbito privado e íntimo; d) A família atravessa uma crise cultural profunda, como todas as comunidades e vínculos sociais. e) O individualismo pós-moderno e globalizado favorece um estilo de vida que debilita o desenvolvimento e a estabilidade dos vínculos entre as pessoas e distorce os vínculos familiares.

2. O que fazer para preparar-se para a “ousadia” de pescar em águas mais profundas. O conselho de Francisco é: Escutar a Palavra. Afinal, foi “na palavra” que os discípulos lançaram as redes e quase não podiam puxá-las para a barca, tão produtiva fora a pesca! O Papa recomendou vivamente aos católicos que leiam todos os dias um trechinho do Evangelho e deixem que Jesus lhes fale através dele. “Levem-no no bolso. Leiam um trechinho todos os dias”. Ler o Evangelho e transformá-lo em vida vai nos tornar capazes de participar da “renovação eclesial inadiável” de que fala a EG nº 33. Afinal, a Igreja em saída é precisamente aquela que se dispõe a pescar em águas mais profundas. E isso “exige o abandono desse cômodo critério pastoral: ‘fez-se sempre assim’”. Por isso ele nos convida a ser “ousados e criativos nesta tarefa de repensar os objetivos, as estruturas, o estilo e os métodos evangelizadores das respectivas comunidades”, ou seja, na reflexão sobre as estratégias necessárias para esse novo tipo de pesca. “Uma identificação dos fins, sem uma condigna busca comunitária dos meios para alcançá-los, está condenada a traduzir-se em mera fantasia.”

Sugestão para reflexão pessoal e/ou em grupo. É possível que já tenhamos lido e relido essa maravilhosa Exortação Apostólica… Continuemos, pois, sua releitura acompanhada de uma séria reflexão sobre como usar os sábios conselhos do Papa nessa tarefa tão importante que é pescar em águas mais profundas. Não permitamos que os que estão distantes – seja porque ninguém lhes “mostrou Jesus”, seja porque as vicissitudes da vida os empurraram para as periferias existênciais – sintam-se marginalizados e excluídos. Preparemo-nos e ousemos adentrar o mar alto para resgatar todos os que Jesus quer encontrar e abraçar.

Unidos a todos nessa tarefa e nas orações diárias, despeço-me envolvendo todos em meu abraço fraterno.

Pe. José Gilberto Beraldo      
Equipe Sacerdotal do GEN    
E-mail: jberaldo79@gmail.com


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