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Carta MCC do Brasil n° 238 - junho 2019


“Filhinhos, por pouco tempo estou ainda convosco. Eu vos dou um novo mandamento: amai-vos uns aos outros. Como eu vos amei, assim também vós deveis amar-vos uns aos outros” (Jo 13, 33ª-34).

Caríssimos amigos e amigas, leitores e leitoras destas nossas modestas Cartas mensais:

Lembrando nossa proposta de apresentar algumas breves reflexões sobre a Exortação Apostólica do papa Francisco “sobre o chamado à santidade no mundo atual”, a “Gaudete et Exsultate” (GE), em Cartas anteriores deste ano, já tratamos de quatro temas: alegria, sofrimento e alegria, perdão e amor. O assunto desta Carta é a solidariedade à luz da GE. Ainda que na Exortação não haja algum parágrafo explícito sobre a “solidariedade”, é no Cap.IV – “Algumas características da santidade no mundo atual”, no tópico “em Comunidade”, números 140-146, que se pode encontrar precioso material para reflexão e posta em prática de tão oportuna e necessária virtude.

1. A “cultura da indiferença” numa sociedade individualista. De fato, é essa a realidade tão alheia à convivência humana e na qual estamos mergulhados, que até se poderia falar de uma “mentalidade da indiferença”. Como dolorosa consequência, tornou-se quase uma exceção a prática da solidariedade derivada do amor ao próximo. Que, aliás, deveria ser compreendido como identidade do cristão: “Nisto todos conhecerão que sois meus discípulos, se tiverdes amor uns aos outros” (Jo 13, 35). E, mais: a indiferença pode ser chamada, também, a mãe do individualismo. Lembra-nos o Papa na GE 146 que “Contra a tendência para o individualismo consumista que acaba por nos isolar na busca do bem-estar à margem dos outros, o nosso caminho de santificação não pode deixar de nos identificar com aquele desejo de Jesus: que todos sejam um só, como Tu, Pai, estás em Mim e Eu em Ti” (Jo 17, 21).

2. O risco do isolamento e da indiferença insolidária nas comunidades cristãs. Nossas comunidades são, efetivamente, solidárias? Têm consciência clara de que a solidariedade segue “o amor uns aos outros”? Ou, por outra, mesmo com a pertença ao povo de Deus (comunidade de Jesus) não existe a tentação do isolamento ou do pouco interesse por aquele que de nós necessita ou nos é próximo? Uma pergunta que pode parecer impertinente: no momento do abraço da paz não é frequente que as pessoas sequer olhem para o rosto do vizinho ao desejar-lhe a paz? Minha já longa experiência pastoral vem provar que existe, sim, solidariedade nessas comunidades, mas, via de regra, em momentos especiais de campanhas e motivações pontuais. Assim se expressa a GE 140: “É muito difícil lutar contra a própria concupiscência e contra as ciladas e tentações do demônio e do mundo egoísta, se estivermos isolados. A sedução com que nos bombardeiam é tal que, se estivermos demasiado sozinhos, facilmente perdemos o sentido da realidade, a clareza interior, e sucumbimos”.

Sugestão para reflexão pessoal e/ou em grupo. Como podemos tornar realidade a alegria do dom de nós mesmos e da comunhão e solidariedade fraternas? A resposta a essa pergunta pode ser encontrada na reflexão sobre a palavra do papa Francisco que nos lembra, em dois parágrafos, depois de citar numerosos detalhes da vida de Jesus, que essa comunhão e essa solidariedade se realizam nos pequenos detalhes de cada dia: “Contudo essas experiências não são o mais frequente, nem o mais importante. A vida comunitária, na família, na paróquia, na comunidade religiosa ou em qualquer outra, compõe-se de tantos pequenos detalhes diários. Assim acontecia na comunidade santa formada por Jesus, Maria e José, na qual se refletiu de forma paradigmática a beleza da comunhão trinitária. E o mesmo sucedia na vida comunitária que Jesus compartilhou com os seus discípulos e o povo simples” (GE 143). E acrescenta: “A comunidade, que guarda os pequenos detalhes do amor, e na qual os membros cuidam uns dos outros e formam um espaço aberto e evangelizador, é lugar da presença do Ressuscitado que a vai santificando segundo o projeto do Pai. Sucede às vezes, no meio desses pequenos detalhes, que o Senhor, por um dom do seu amor, nos presenteie com consoladoras experiências de Deus...” (GE 145).

Com meu abraço sincero, transmito-lhes meu desejo de uma experiência consciente, alegre e profundamente responsável do “mandamento novo”, que evite o desenvolvimento da “cultura da indiferença” e do “risco do isolamento”, e colabore efetivamente na construção de uma sociedade mais justa e fraterna.

Pe. José Gilberto Beraldo      
Equipe Sacerdotal do GEN    
E-mail: jberaldo79@gmail.com


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