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Carta MCC do Brasil n° 231 - novembro 2018


“O Senhor falou a Moisés: ‘Fala a toda a comunidade dos israelitas e dize-lhes: Sede santos, porque eu, o senhor vosso Deus, sou santo’ ” (Lv 19, 1-20).
“Sede, portanto, perfeitos como o vosso Pai celeste é perfeito” (Mt 5,48). “Nele, Deus nos escolheu, antes da fundação do mundo, para sermos santos e íntegros diante dele, no amor” (Ef 1,4).


Queridos irmãos e irmãs, amáveis leitores e leitoras: permitam-me que os saúde com a palavra do Apóstolo aos Romanos: “A vós todos (que me leem, onde estiverdes1) amados de Deus e santos por vocação: graça e paz da parte de Deus, nosso Pai, e de nosso Senhor, Jesus Cristo” (Rm 1,7).

Introdução. O primeiro dia do mês de novembro é marcado pela Solenidade de TODOS OS SANTOS E SANTAS. Ainda que, também, no início do mês – dia 02 – ocorra a Comemoração de Todos os Fiéis Defuntos marcando praticamente o mês inteiro, penso ser um momento muito oportuno para nos determos numa breve reflexão sobre a santidade. Santidade ou perfeição para as quais todos somos chamados. Essa é a razão das citações acima que vão desde o Antigo Testamento, na palavra do profeta Isaias, passando pela própria palavra de Jesus no contexto das Bem-aventuranças, até São Paulo na Carta aos Efésios. Motivados por tão inspiradas palavras do Livro Sagrado, chegamos às oportunas considerações tão atualizadas do nosso papa Francisco.

1. A santidade não é somente um ideal mais ou menos diluído no horizonte da vida cristã, mas é, sim, uma conquista tão ao alcance de todos que é objeto de uma Exortação Apostólica do Magistério do Papa Francisco intitulada “Gaudete et Exsultate” sobre o chamado à santidade no mundo atual (em português “Alegrai-vos e Exultai”). Importante ressaltar, aqui, o contexto de “no mundo atual”. Por isso, logo no segundo parágrafo, o Papa declara o seu objetivo com esse documento: “Meu objetivo é humilde: fazer ressoar mais uma vez o chamado à santidade, procurando inseri-lo no contexto atual, com seus riscos, desafios e oportunidades, porque o Senhor escolheu cada um de nós “para sermos santos e íntegros diante dele, no amor” (Ef 1,4).2 Se “escolheu a cada um de nós” escolheu a mim e a você também meu caro leitor (a). Escolheu cada seguidor (a) de Jesus pelos caminhos da vida.

2. A santidade ao alcance de todos. Quando nos referimos a “santos (as)” ou a “santidade”, normalmente vem-nos à mente algo muito distante de nós, pobres pecadores. Distante tanto no tempo, como das pessoas. E quanto mais você olha para os santos e santas em suas imagens sobre os altares, mais distanciado você pode sentir-se deles ou da santidade deles. E tanto as imagens quanto a leitura da vida dos santos podem acabar criando nos cristãos uma certeza. A certeza de que jamais alcançarão a santidade e, mais ainda, o altar onde ficam aquelas imagens dos santos que veneramos. Como é confortador e animador ouvirmos o que o Papa nos diz: “Gosto de ver a santidade no povo paciente de Deus: nos pais que criam os seus filhos com tanto amor, nos homens e mulheres que trabalham a fim de trazer o pão para casa, nos doentes, nas consagradas idosas que continuam a sorrir. Nesta constância de continuar a caminhar dia após dia, vejo a santidade da Igreja militante. Esta é muitas vezes a santidade “na soleira da porta”, daqueles que vivem perto de nós e são um reflexo da presença de Deus, ou – por outras palavras – da “classe média da santidade” (GE 7).

3. Cada um (a) percorre o seu caminho para a santidade. Como decorrência necessária da afirmação acima, podemos deduzir que cada pessoa, cada cristão, cada fiel a Jesus e mesmo cada pessoa que O busca de coração sincero percorre o seu próprio caminho para a santidade. Santos ou santas não são “modelo” que a gente tem que reproduzir tão fielmente como se fosse uma daquelas modernas impressoras 3D, exatamente conforme sua imagem, mas, sim, exemplos de amor, de oração, de fidelidade, de virtudes, de entrega ao projeto de Deus que é a construção de um mundo mais humano e mais feliz para todos. Como Jesus o fez. Cada um, cada uma, no seu tempo, na sua família, na sua profissão, no seu dia a dia. Novamente, chamo nosso Pastor para nos ajudar: “Cada um por seu caminho”, diz o Concílio. Por isso, uma pessoa não deve desanimar, quando contempla modelos de santidade que lhe parecem inatingíveis. Há testemunhos que são úteis para nos estimular e motivar, mas não para procurarmos copiá-los, porque isso poderia até afastar-nos do caminho, único e específico, que o Senhor predispôs para nós. Importante é que cada crente discirna o seu próprio caminho e traga à luz o melhor de si mesmo, o quanto Deus colocou nele de muito pessoal (cf. 1 Cor 12, 7), e não se esgote procurando imitar algo que não foi pensado para ele” (GE 11). E, logo em seguida, uma palavra especial para as mulheres: “ A propósito de tais formas distintas, quero assinalar que também o “gênio feminino” se manifesta em estilos femininos de santidade, indispensáveis para refletir a santidade de Deus neste mundo. E precisamente em períodos nos quais as mulheres estiveram mais excluídas, o Espírito Santo suscitou santas, cujo fascínio provocou novos dinamismos espirituais e reformas importantes na Igreja. Podemos citar Santa Hildegarda de Bingen, Santa Brígida, Santa Catarina de Sena, Santa Teresa de Ávila ou Santa Teresa de Lisieux; mas interessa-me, sobretudo, lembrar tantas mulheres desconhecidas ou esquecidas que sustentaram e transformaram, cada uma a seu modo, famílias e comunidades com a força do seu testemunho” (GE 12). E o Papa lembra uma palavra forte do Profeta Jeremias: “Isto deveria entusiasmar e animar cada um a dar o melhor de si mesmo para crescer rumo àquele projeto, único e que não se repete, que Deus quis, desde toda a eternidade, para ele: “antes de te haver formado no ventre materno, Eu já te conhecia; antes que saísses do seio de tua mãe, Eu te consagrei” (Jer 1, 5) (GE 13).

4. Finalmente, o que é necessário para ser santo (a) nos dias de hoje? Depois de ter lido tudo isso, conscientes e convencidos de nossas possibilidades de alcançar a santidade, em busca constante da própria santidade divina, como, aliás repete-se inúmeras vezes também no Antigo Testamento, fica no mais profundo dos corações de cada um, de cada uma de nós aquela desafiadora pergunta posta acima. Terminando, vamos, então, escutar Francisco: “Para ser santo, não é necessário ser bispo, sacerdote, religiosa ou religioso. Muitas vezes somos tentados a pensar que a santidade esteja reservada apenas àqueles que têm possibilidade de se afastar das ocupações comuns, para dedicar muito tempo à oração. Não é assim. Todos somos chamados a ser santos, vivendo com amor e oferecendo o próprio testemunho nas ocupações de cada dia, onde cada um se encontra. És uma consagrada ou um consagrado? Sê santo, vivendo com alegria a tua doação. Estás casado? Sê santo, amando e cuidando do teu marido ou da tua esposa, como Cristo fez com a Igreja. És um trabalhador? Sê santo, cumprindo com honestidade e competência o teu trabalho ao serviço dos irmãos. És progenitor, avó ou avô? Sê santo, ensinando com paciência as crianças a seguirem Jesus. Estás investido em autoridade? Sê santo, lutando pelo bem comum e renunciando aos teus interesses pessoais” (GE 14).

Conclusão. Quem melhor do que Maria para nos ensinar e acompanhar no caminho da santidade? Por isso, nos unimos ao Papa Francisco ao encerrar sua preciosa Exortação: “Desejo coroar estas reflexões com a figura de Maria, porque Ela viveu como ninguém as bem-aventuranças de Jesus. É Aquela que estremecia de júbilo na presença de Deus, Aquela que conservava tudo no seu coração e Se deixou atravessar pela espada. É a mais abençoada dos santos entre os santos, Aquela que nos mostra o caminho da santidade e nos acompanha. E, quando caímos, não aceita deixar-nos por terra e, às vezes, leva-nos nos seus braços sem nos julgar. Conversar com Ela consola-nos, liberta-nos, santifica-nos. A Mãe não necessita de muitas palavras, não precisa que nos esforcemos demasiado para Lhe explicar o que se passa conosco. É suficiente sussurrar sempre e sempre: 'Ave Maria.’ ”.

Com meu carinhoso abraço, termino sugerindo que cada um leia essa linda Exortação Apostólica e dedique uns minutos do seu precioso tempo para refletir sobre ela projetando-a na sua vida!

Pe. José Gilberto Beraldo      
Equipe Sacerdotal do GEN    
E-mail: jberaldo79@gmail.com


1 Acréscimo pessoal
2 Citações, às vezes, longas dos Documentos do Magistério, faço-as para que os leitores que talvez não os possuam, possam ter a oportunidade de conhecê-los, pelo menos em parte. E busquem adquiri-los.


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